Laudas Críticas

Archive for the ‘Genética e biotecnologia’ Category

A biopirataria e o conflito entre a lei e a pesquisa

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Aos 80 anos de idade, completados no último dia 16, e com 55 anos de atuação na pesquisa de patologias tropicais — dos quais 32 no Instituto Pasteur, na França —, o médico brasileiro Luiz Hildebrando Pereira da Silva recebeu de funcionários do Ibama uma intimação motivada por uma denúncia anônima de “acessar indevidamente o patrimônio genético da Amazônia, coletando animais, vegetais e sangue de populações tradicionais e levando para fora do país”, segundo a edição de ontem do JC E-mail, boletim diário da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

A intimação, que foi motivo de comunicação do ministro Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, para seu colega Carlos Minc, do Meio Ambiente, foi feita também para o pesquisador Rodrigo Guerino Stabeli, diretor de pesquisa do Ipepatro (Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais), de Porto Velho, ligado à Universidade Federal de Rondônia, do qual Hildebrando é diretor-geral desde 2003. O Ibama já informou que desistiu de dar prosseguimento ao processo, como noticiou hoje a Folha de S. Paulo na matéria “Ibama recua em acusação de biopirataria“.

Apesar de o denunciado ser um dos mais importantes pesquisadores brasileiros (vide sua biografia resumida no site da Academia Brasileira de Ciências), e de o JC E-mail ter sido enviado ontem no início da tarde (14h29), não constatei hoje nenhuma repercussão da manifestação do  de Rezende na imprensa, além da matéria acima citada da Folha e da postagem “Hildebrando intimado pelo Ibama por biopirataria“, do blog Ciência em Dia, do jornalista Marcelo Leite.

Em sua mensagem a Minc, Rezende ressalta a importância dos trabalhos desenvolvidos pelos dois cientistas, principalmente com malária, e a finaliza com as seguintes palavras:

Ao exposto, solicito atenção especial de Vossa Excelência e dos dirigentes do Ibama a esse desagradável episódio. O Ibama tem a importante missão de proteger os nossos recursos biológicos, e estou certo que isto é reconhecido por toda comunidade científica brasileira. No entanto seria recomendável que as modalidades de relacionamento do Ibama com as instituições científicas consolidadas e de grande importância para o país sejam aperfeiçoadas, para que possamos continuar com ações que tem como meta o desenvolvimento sustentável.

Além da nota sobre a mensagem de Rezende, o JC E-mail veiculou também o artigo “Darwin processado pelo Ibama“, de outro peso-pesado da ciência brasileira, o físico Sérgio Mascarenhas, também de 80 anos, aposentado, mas ainda atuante no Institudo de Estudos Avançados de São Carlos, da USP. Nesse texto, além de afirmar que as trabalhos desenvolvidos por Hildebrando são autorizados, têm apoio do MCT (Ministério da Ciência e Tecnologia) e “são realizados em difíceis condições e com muito idealismo”, Mascarenhas acrescenta:

Assuntos de mérito científico são julgados por juizes, promotores, burocratas no mais das vezes sem qualquer preparo no conteúdo dos assuntos ou até mesmo ignorantes dos princípios da metodologia em CT&I [Ciência, Tecnologia & Inovação] que prosseguem vertiginosamente neste século do conhecimento e que, aparentemente no Brasil, está sendo rejeitado!
Não serve alegar conhecimento apenas jurídico, pois conhecimento exige axiologia, isto é, valores com os quais aplicar as leis. Faltam nas nossas escolas de direito especializações para CT&I. Enchem seus egos com conhecimentos especializados de direito penal, cível e até outros que se intitulam especialistas em direito constitucional (sic), mas onde estão os especialistas em CT&I?

A manifestação do físico acrescentou um outro tom para a questão levantada por Rezende, levando-a para além da retratação já feita pelo Ibama. Segundo esse artigo, não se trata apenas de aperfeiçoar “as modalidades de relacionamento do Ibama com as instituições científicas consolidadas e de grande importância para o país”, como disse o ministro. O que Mascarenhas ressalta é o conflito de ordem jurídico-institucional entre a a pesquisa baseada no acesso aos recursos genéticos e a legislação em vigor (Medida Provisória 2.186-16, de 23/08/2001).

O assunto é complexo. Envolve, por um lado, concepções de direito relacionadas ao controle do acesso aos recursos genéticos da biodiversidade brasileira e também conhecimentos tradicionais e, por outro, dificuldades enfrentadas por pesquisadores e suas instituições diante de exigências legais. E, como não poderia deixar de ser, o conflito é potencializado tanto por algumas atuações extremamente burocratizadas de órgãos controladores como por certas prospecções sem a menor preocupação legal e ambiental por parte de alguns pesquisadores.

Ao final da postagem acima citada em seu blog, Marcelo Leite ressalta com sua frase “Com a palavra, o ministro Minc”. No entanto, em vista das palavras de Mascarenhas e do fato seu artigo ter sido veiculado com a mensagem do titular do MCT na mesma edição do boletim da SBPC, o desafio está posto também para juristas e para o Ministério Público.

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Para saber mais:

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Written by Mauricio Tuffani

sábado, 27/09/2008 at 12:00

Mídia omite decisões judiciais sobre transgênicos

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Apesar do gancho oferecido pelo confronto entre a CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e o Greenpeace Brasil, a chamada grande imprensa brasileira não fez, ao longo dos últimos dez dias, nenhuma referência a uma importante reportagem veiculada pela revista norte-americana Science em sua edição de 23 de fevereiro: três tribunais federais dos Estados Unidos exigiram estudos de impacto ambiental para plantios experimentais de sementes transgênicas.

Não é o caso de desconhecimento geral da reportagem “U.S. Courts Say Transgenic Crops Need Tighter Scrutiny” (Cortes dos EUA afirmam que sementes transgênicas precisam de exame mais rigoroso).1 Editada pela AAAS (American Association for the Advancemente of Science), a revista, que é semanal e se dedica especialmente à publicação de artigos de cientistas, mantém a seção de reportagens “News of the week”, cujos textos são compreensíveis pelo público não especializado. Jornalistas que fazem cobertura regular de ciência e são inscritos junto ao serviço de divulgação da revista têm acesso ao conteúdo integral.

Além do website semanal da Science, a reportagem foi divulgada no Brasil, no dia 28, quarta-feira — dessa vez com o texto integral — para jornalistas, ambientalistas e especialistas em meio ambiente por e-mail do atento David Hathaway, da ONG AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa), ferrenha opositora dos transgênicos. Eu, também, enviei e-mails no dia seguinte para cinco listas de discussão de jornalistas, perguntando se sabiam de alguma divulgação da notícia. Nem assim teve repercussão.

Assinada pelo jornalista Dan Charles, a matéria comenta as decisões de cortes federais distritais em San Francisco, na Califórnia (12/02/2007), na capital Washington (05/02) e no Havaí (agosto de 2006), todas elas referentes a ações propostas pela organização não governamental Center for Fod Safety contra aprovações de plantios experimentais de sementes transgênicas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o ministério da agricultura do país).

A primeira sentença suspendeu a aprovação pelo USDA do plantio da alfafa Roundup Ready, desenvolvida pela Monsanto e pela Forage Genetics International, destinada a dar resistência ao herbicida glifosato. Em sua sentença, o juiz federal distrital Charles Breyer afirmou, segundo a reportagem, que o USDA violou o (National Environmental Protection Act (Lei Nacional de Proteção Ambiental) por não ter exigido previamente estudo de impacto ambiental e que essa missão se agravara pelo fato de já existirem plantios de soja e de milho transgênicos resistentes ao glifosato.

Will Rostov, procurador da ONG e autor das três ações, qualificou a decisão como “mais um prego no caixão” da abordagem omissa do USDA em relação à regulamentação. O advogado Stanley Abramson, que trabalha para diversas empresas de biotecnologia, anunciou que vai recorrer das três decisões em cortes superiores.

O segundo veredito, diz a matéria, anulou a aprovação do USDA de plantios em uma área de 163 hectares em Madras, no Oregon, de sementes para gramados (“turf grass”), e a terceira sentença referiu-se ao licenciamento pelo ministério de plantios, também experimentais, de variedades de cana-de-açúcar e de milho desenvolvidas para produzir fármacos “sem considerar as numerosas espécies ameaçadas do estado”.

Para quem vem acompanhando a questão dos alimentos transgênicos na mídia, não é estranha a omissão a essa reportagem, pois o tema se tornou uma guerra de desinformação. Com o perdão pela auto-citação e pelo comodismo de não querer escrever a mesma coisa com outras palavras, quase nada mudou desde que eu disse há quatro anos, em outro artigo:

Dependendo da fonte, o leitor, telespectador ou ouvinte estará convencido de que já está provado que os produtos transgênicos são inofensivos à saúde e ao meio ambiente, ou justamente do contrário; também estará convencido de que o Brasil pode “perder o bonde da História” para impulsionar sua agricultura e ganhar mercados se não cultivar esses alimentos, ou de que o país poderá se beneficiar da preferência de consumidores europeus que rejeitam essa inovação da genética.

Diversas metáforas e comparações têm sido usadas por ambos os lados: os contrários aos transgênicos sendo mostrados em pé de igualdade àqueles que em 1904 promoveram a grande revolta contra a vacina da varíola no Rio de Janeiro; e os favoráveis a esses alimentos comparados como os pesquisadores otimistas que apoiaram o uso do inseticida DDT, hoje proibido em vários países por seus efeitos danosos à saúde e ao meio ambiente. (“Os transgênicos e a guerra da desinformação”, Boletim Galileu, 13/abr/2003)

Raros têm sido na mídia os apelos ao bom senso e ao equilíbrio nesse tema. Raramente são publicadas reportagens ou artigos elaborados com consciência da complexidade que ele envolve, em seus aspectos científicos, ambientais, econômicos, sociais e até geopolíticos. Na contramão dessa tendência, a Folha publicou neste domingo (04/03), no caderno Mais!, duas ótimas resenhas do seu colunista Marcelo Leite, que estão disponíveis na web no post “Transgênicos na estante”, em seu blog Ciência em Dia.

Uma importante contribuição para um verdadeiro debate sobre os alimentos transgênicos no Brasil está disponível desde junho do ano passado. Trata-se do artigo “Transgênicos e percepção pública da ciência no Brasil”,2 de Julia S. Guivant, professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenadora do Núcleo em Sustentabilidade e Redes Agroalimentares (NISRA).

Em seu artigo, a pesquisadora da UFSC analisa diversas pesquisas sobre percepções de consumidores, produtores, cidadãos em relação ao uso de alimentos transgênicos, estabelecendo comparações entre as desenvolvidas no Brasil, na Europa, na Ásia e nos Estados Unidos. Segundo ela, “a falta de pesquisas, o seu número limitadíssimo é aqui considerado uma evidência para caracterizar a trajetória da polêmica no Brasil, com uma significativa ausência de participação pública nos debates sobre transgênicos”.

O artigo da professora Julia S. Guivant poderia pelo menos servir para arejar as cabeças dos chamados formadores de opinião.

Referências

  1. Science 23 February 2007: Vol. 315. no. 5815, p. 1069
  2. Ambiente & Sociedade vol.9 no.1 Campinas Jan./June 2006

Correção (05/03, 13h45): Cometi um erro na versão original deste post em dois trechos:

1) No segundo parágrafo, após “público não especializado” os dois períodos seguintes, que foram suprimidos: “O sumário de cada edição é divulgado por meio de boletins distribuídos por e-mails para jornalistas de vários países. Praticamente todos os grandes veículos de comunicação possuem profissionais que recebem esses boletins.”

2) No início do terceiro parágrafo, na primeira linha, substituí “boletim semanal” por “website”. Essas alterações foram feitas porque a reportagem em questão não constou no boletim semanal da revista. Mas minha crítica à atitude da mídia em geral não se altera, pois a reportagem esteve disponível no site da Science desde o dia 23/02, e seu conteúdo integral circulou por e-mail entre centenas de jornalistas de todo o país desde o dia 28/02. Desse modo, houve omissão da mídia, seja por dificuldades operacionais (como sobrecarga de trabalho), despreparo (jornalistas que nem têm acesso próprio ao assunto), negligência (por não terem conferido o site da Science desde o dia 23/02 nem os e-mails de David Hathaway ou o meu, ambos com identificador de assunto bem explícito desde o dia 28/02), partidarismo ou até mesmo por terem avaliado que havia notícias mais importantes para se divulgar. De um jeito ou de outro, o leitor saiu perdendo.

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Written by Mauricio Tuffani

domingo, 04/03/2007 at 17:48

A clonagem das notícias de ciência

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(Artigo publicado na edição de 10/02/2006 de ComCiência — Revista Eletrônica de Jornalismo Científico, do Labjor — Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico, da Unicamp.)

Maurício Tuffani *

Em dezembro de 2005, ao fazer a seleção de grandes descobertas que apresenta tradicionalmente ao final de cada ano, a revista norte-americana Science foi obrigada a descartar o estudo que foi uma de suas sua maiores apostas editoriais nesse mesmo período e um dos que mais esperanças havia trazido nos últimos meses para a pesquisa na área de biotecnologia.1 Dessa constrangedora retrospectiva foi excluído um empreendimento coordenado pelo pesquisador sul-coreano Woo-suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul, que foi amplamente divulgado para o mundo todo como a primeira clonagem de células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) e, que, posteriormente, foi desmascarado como fraude.2

Esse caso apresenta diversos elementos de reflexão sobre o jornalismo na área de ciência. No que se refere à pauta, a credibilidade da Science — que é editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) e é uma das principais fontes da imprensa — foi decisiva para a repercussão mundial dos resultados descritos no paper de Hwang.3 Como reforço a essa chancela, a pesquisa se baseava em dados preliminares apontados em um estudo também coordenado por ele, que havia sido divulgado em 2004 por essa mesma publicação.4

No plano das conseqüências da divulgação pela mídia, o pesquisador sul-coreano, guindado rapidamente à condição de herói nacional e de celebridade internacional, teve, num piscar de olhos, o reconhecimento do governo de seu país na forma de US$ 65 milhões investidos no seu laboratório na universidade. Poucos meses depois, mais US$ 15 milhões foram previstos no orçamento de 2006 do Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social com a rubrica destinada à criação do Centro Mundial de Célula-Tronco, no qual membros da equipe de Hwang deveriam clonar células humanas para clientes científicos de outros países.5

Ao decretar oficialmente a nulidade dos dois papers de Hwang, o editor-chefe da Science pediu desculpas pelo tempo e pelos recursos que a comunidade científica teria gasto tentando reproduzir os resultados divulgados pela revista e afirmou que providências deverão tomadas para evitar futuros engodos.6

Apesar de envolver diversos aspectos diretamente relacionados a temas cruciais da ética e da técnica jornalísticas, o caso Hwang, assim como outros que envolveram fraudes científicas, não gerou entre profissionais que cobrem ciência nenhum questionamento de significativa repercussão.7 No entanto, no âmbito do jornalismo em geral, são amplamente conhecidos diversos casos nos quais a imprensa foi forçada não só a reconhecer seus deslizes, como também a se questionar com relação aos seus métodos e objetivos ― desde casos locais, como o do fantasioso abuso de crianças na Escola Base, em São Paulo, a acontecimentos de repercussão e conseqüências globais, como a revelação tardia da inexistência de provas dos alegados arsenais de destruição em massa que serviram do pretexto para a invasão do Iraque.

Não se trata aqui de afirmar que o chamado jornalismo científico goza de imunidade a questionamentos sobre sua confiabilidade. Decerto não é razoável exigir dos jornalistas que sejam mais criteriosos que os próprios cientistas em assuntos que envolvam fraude científica. Geralmente crítica e exigente no que se refere à “tradução” do discurso científico para a linguagem coloquial, a comunidade científica jamais repreendeu a imprensa por ter ludibriado seu público com a divulgação de estudos chancelados pelo ritual do peer review.

No entanto, trata-se aqui inicialmente de questionar essa certificação oferecida pelos ritos acadêmicos, os processos jornalísticos a eles associados e a cultura de trabalho que essa relação envolve. Em busca de critérios de seleção de novidades científicas para assegurar confiabilidade das pautas, a imprensa adotou nas últimas décadas o princípio de exigência do endosso de comitês científicos independentes. Na prática, isso significou a consagração como principal fonte do noticiário de ciência das revistas científicas, uma vez que elas organizam e mantêm comitês consultivos independentes para avaliar os estudos encaminhados para publicação.

Esse processo teve conseqüências muito maiores no plano da comunicação em geral para as publicações científicas de maior circulação e prestígio. Entre as interdisciplinares destacam-se as norte-americanas Science e Proceedings of the National Academy of Sciences e a britânica Nature e, entre as da área médica, Journal of the American Medical Association e New England Journal of Medicine, dos Estados Unidos, e British Medical Journal e The Lancet, do Reino Unido. Consagradas como fontes indispensáveis da mídia internacional, essas publicações rapidamente incorporaram uma outra função além da original de divulgação científica inter pares, mas de uma forma não explícita: elas passaram a ser veículos de comunicação disponíveis para instituições científicas ― governamentais ou não-governamentais ―, lideranças acadêmicas e até de empresas, como as indústrias farmacêuticas, os recentes empreendimentos da genômica e outros.

Expostas aos holofotes da mídia, embora continuando a usar os seus próprios meios de comunicação, lideranças e entidades científicas rapidamente compreenderam por que no cinema e na televisão se usa maquiagem. Na medida em que determinadas publicações científicas expandiram seu público-alvo para além dos limites da comunidade acadêmica, abrindo espaço para influenciar comunicadores, formadores de opinião e tomadores de decisão, elas passaram a servir como palco para campanhas institucionais e disputas internas por poder e recursos. Aos simples press-releases se acrescentaram, com o tempo, entrevistas coletivas, eventos especiais e teleconferências.

Um dos mais eloqüentes exemplos desse novo papel das publicações científicas foi a divulgação simultânea, nas revistas Nature (vol. 409, nº 6822) e Science (vol. 291, nº 5507), respectivamente em 15 e 16 de fevereiro de 2001, dos resultados do Projeto Genoma Humano, realizado por instituições públicas dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Japão e China e pelo grupo privado norte-americano Celera, como mostrou uma criteriosa pesquisa realizada pelo jornalista Marcelo Leite para sua tese de doutorado “Biologia total: Hegemonia e informação no genoma humano”.

Publicações como a Nature e a Science se encontram numa posição privilegiada para influenciar a forma final que as realizações dos cientistas assumem no imaginário social: têm periodicidade semanal, não são ultra-especializadas como maioria dos journals, os trabalhos técnicos que veiculam são precedidos por artigos, comentários e notícias que contextualizam e discutem os dados e interpretações dos primeiros, e desenvolveram nas duas últimas décadas um sistema de prestação de serviços 8 para jornalistas especializados em ciência que as transformou em duas de suas fontes preferidas de informação e em mananciais de pautas para reportagem (ambas as publicações são também importantes formadoras de opinião na comunidade científica internacional). Não é de estranhar, assim, que as duas edições aqui analisadas tenham abusado das hipérboles para sublinhar o caráter histórico da publicação das seqüências-rascunho do genoma humano; era imperioso, antes de mais nada, que os jornalistas assim a percebessem e assim a apresentassem para o grande público. 9

Ao caracterizar de forma inequívoca a “mobilização retórica e política, nas interfaces com a esfera pública leiga, de um determinismo genético crescentemente irreconciliável com os resultados empíricos obtidos no curso da própria pesquisa genômica”,10 bem como o recurso crescente a hipérboles e metáforas por parte de cientistas em publicações especializadas a função de suporte a um programa hegemônico de pesquisa, Marcelo Leite conclui em seu estudo que:

… cabe ao cientista social que se defronta com a tecnociência em sua vertente biotecnológica empunhar as armas da crítica para desafiar o campo hegemônico da genômica a abandonar ou reformular drasticamente o complexo de metáforas deterministas que até agora lhe deu sustentação. Sem isso ela deixará de ser científica, ou seja, se afastará cada vez mais da promessa de objetividade e de imparcialidade implícita em qualquer forma de pesquisa científica, até mesmo na tecnociência. 11

Mapeada por esse estudo de sociologia da ciência nas publicações científicas especializadas, a retórica determinista e reducionista no uso de hipérboles e metáforas sobre as promessas da genética não tem servido apenas para atrair a atenção dos pauteiros, influenciando o ponto de partida da atividade editorial. Ela tem sido também amplamente reproduzida no texto das reportagens, isto é, no produto final do noticiário de ciência, como indica a pesquisa no âmbito da comunicação realizada pelo jornalista Cláudio Júlio Tognolli A Falácia Genética: A ideologia do DNA na imprensa:

As vastas operações da linguagem da mídia vêm fomentando, como demonstramos, a idéia de que, num mundo em que a transparência é espírito de época, o gene é a caixa preta final do ser humano.12

Às considerações aqui apresentadas acrescentam-se os questionamentos que vêm se tornando cada vez mais freqüentes sobre a prática do jornalismo científico, no qual o peso das publicações científicas não se restringe aos critérios de seleção de pauta, mas também aos critérios de correção da informação final. No entanto, esse peso tem sido hegemônico, sobrepujando inclusive os próprios preceitos jornalísticos de avaliação crítica e independente das fontes. Como ressaltou a jornalista Mônica Teixeira ao analisar essa omissão, “importa, para a aferição da qualidade do que escreve o jornalista (jornalista de televisão também escreve), estar o texto ou não de acordo com o que reza a ciência, concretizada na conclusão do artigo científico mais recente”.13Um dos aspectos mais preocupantes levantados por essas críticas é a omissão generalizada do contraditório no noticiário sobre ciência. Nesse processo, “o papel do jornalista acaba não sendo muito diferente daquele que seria de um assessor de imprensa do pesquisador que deu a entrevista”, como ressaltamos anteriormente.14 Em artigo recente sobre esse tema, a jornalista Martha San Juan França observou que:

Enquanto repórteres de política e economia freqüentemente vão além dos releases oficiais para comprovar a veracidade das notícias, os colegas de ciência se contentam com a informação autorizada, os papers (relatórios científicos), entrevistas coletivas e revistas especializadas. Enquanto as notícias de outras áreas são normalmente objeto de crítica, a ciência e a tecnologia são poupadas ― até que ocorram acidentes trágicos. Se bons jornalistas são reconhecidos ― e temidos ― por suas análises críticas, no caso de ciência, a investigação e a crítica costumam passar longe. 15

O papel das publicações científicas especializadas no âmbito da cobertura jornalística de ciência se tornou hegemônico com relação aos preceitos de avaliação crítica e independente das fontes. Potencializado pelos serviços de divulgação das instituições científicas e pelas novas tecnologias de comunicação, esse papel tem praticamente consolidado nesse campo específico da cobertura da imprensa o processo para o qual muitos estudiosos e críticos da mídia em geral têm alertado: o da conversão do jornalista em um simples comunicador, que se ocupa de reproduzir informações em um formato mais acessível ao público em geral, em detrimento das demais atribuições inerentes à mediação plena que se espera dessa profissão.Dizendo em termos mais enfáticos, o chamado jornalismo científico encontra-se em estado mais avançado do que outras áreas da imprensa nesse processo que foi devidamente caracterizado no relatório “The State of News Media 2004”, da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia:

1) a maior parte da atividade jornalística consiste em distribuir informações, e não em produzi-las; e

2) mesmo entre grande parte dos meios que produzem a informação a ser distribuída, confunde-se cada vez mais os elementos informativos brutos com o que seria a informação resultante de checagem, comparação e avaliação.16

Não sabemos se esse processo é reversível, seja no âmbito do jornalismo em geral, seja no plano específico da cobertura de ciência, devido aos componentes conjunturais de crise global no mundo da comunicação, com as sucessivas eliminações de postos de trabalho, o crescente processo de concentração de propriedade dos meios de comunicação, paralelamente à progressiva miscigenação e promiscuidade do espaço jornalístico com o do entretenimento e à pulverização dos valores éticos e de credibilidade.

Se esse quadro é resultado de uma tendência da sociedade, da globalização, do pós-modernismo, do neoliberalismo ou coisa que o valha, é uma questão. Seja o que for, uma outra questão é o que fazer. Do ponto de vista daquilo que ainda se pode chamar de deontologia do jornalismo, imaginamos que é indesejável a continuidade dessa clonagem do noticiário de ciência. Se existem antídotos ou paliativos contra ela, é necessário ― mas não suficiente ― que a receita inclua o resgate do papel investigativo do jornalismo.

* Maurício Tuffani é assessor de comunicação e imprensa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e responsável pelo blog Laudas Críticas).

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Notas

  1. Donald Kennedy ― “Breakthrough of the year” (Editorial). Science, 23 December 2005: Vol. 310. no. 5756. p. 1869.
  2. Donald Kennedy ― “Editorial retraction”. Science, 20 January 2006: Vol. 311. no. 5759. p. 335.
  3. Woo Suk Hwang, Sung Il Roh, Byeong Chun Lee, Sung Keun Kang, Dae Kee Kwon, Sue Kim, Sun Jong Kim, Sun Woo Park, Hee Sun Kwon, Chang Kyu Lee, Jung Bok Lee, Jin Mee Kim, Curie Ahn, Sun Ha Paek, Sang Sik Chang, Jung Jin Koo, Hyun Soo Yoon, Jung Hye Hwang, Youn Young Hwang, Ye Soo Park, Sun Kyung Oh, Hee Sun Kim, Jong Hyuk Park, Shin Yong Moon, and Gerald Schatten ― “Patient-Specific Embryonic Stem Cells Derived from Human SCNT Blastocysts”. Science, 17 June 2005: 1777-1783.
  4. Woo Suk Hwang, Young June Ryu, Jong Hyuk Park, Eul Soon Park, Eu Gene Lee, Ja Min Koo, Hyun Yong Jeon, Byeong Chun Lee, Sung Keun Kang, Sun Jong Kim, Curie Ahn, Jung Hye Hwang, Ky Young Park, Jose B. Cibelli, and Shin Yong Moon ― “Evidence of a Pluripotent Human Embryonic Stem Cell Line Derived from a Cloned Blastocyst” Science, 12 March 2004: 1669-1674.
  5. Nicholas Wade ― “Clone Scientist Relied on Peers and Korean Pride”. The New York Times, 25/dez/2005.
  6. Ver nota 2.
  7. Maurício Tuffani ― “Lições sobre a fraude dos clones”. Laudas Críticas (blog), 27/dez/2005.
  8. O autor citado se refere aos veículos Press Nature e Eurekalert/Science.
  9. Marcelo Leite ― Biologia total: Hegemonia e informação no genoma humano. Tese de Doutorado em Ciências Sociais. Departamento de Ciências Sociais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (inédito). p. 89.
  10. Idem, p. 207.
  11. Idem, p. 211.
  12. Cláudio Júlio Tognolli ― A Falácia Genética: A ideologia do DNA na imprensa. Escrituras Editora. São Paulo. 2003, p. 300.
  13. Mônica Teixeira ― “Pressupostos do Jornalismo de Ciência no Brasil”. in Luísa Massarani et al (orgs.) Ciência e Público: Caminhos da divulgação científica no Brasil. Casa da Ciência, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. 2002. pp. 133-141.
  14. Maurício Tuffani ― “O fogo cruzado no jornalismo de ciência”. ComCiência. Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico, Universidade Estadual de Campinas. 10/jul/2003.
  15. Martha San Juan França ―”Divulgação ou jornalismo?”. in Sergio Vilas Boas (org.) Formação e informação científica: Jornalismo para iniciados e leigos. São Paulo. Summus Editorial. 2005. pp. 31-47.
  16. The Project for Excellence in Journalism ― The State of News Media 2004. Graduate School of Journalism. Columbia University. Nova York. 2004.

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Written by Mauricio Tuffani

sexta-feira, 10/02/2006 at 8:30

Mídia cerca fraudador, mas poupa Science

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Dois pesos e duas medidas: enquanto a mídia internacional aponta os holofotes da vergonha para o sul-coreano Hwang Woo-suk — coordenador da falsa primeira clonagem de células-tronco embrionárias humanas — seguindo o prudente exemplo dos ratos ao tentar abandonar o barco em chamas e atribuir a responsabilidade a seus colegas da Universidade Nacional de Seul, a revista científica norte-americana Science passa incólume na penumbra no mesmo momento em que faz uma pífia retratação pública por sua participação nessa patacoada.1

Assinada por Donald Kennedy, editor-chefe da Science, a nota (“Editorial retraction”, 12/01/2006, em formato PDF, 56 kB) faz uma breve síntese do relatório da auditoria da universidade, comunica que os dois artigos de Hwang devem ser considerados inválidos e pede desculpas pelo tempo que os revisores científicos “e outros” perderam avaliando os dois papers,2 assim como pelo tempo e pelos recursos que a comunidade científica possa ter gasto tentando reproduzir os resultados divulgados pela revista.

Nenhum pedido de desculpas ao governo da Coréia do Sul, que investiu US$ 65 milhões no laboratório do pesquisador e reservou outros US$ 15 milhões do Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social para a criação do Centro Mundial de Células-Tronco. Nenhum comentário sobre críticas da imprensa, como a do jornalista Nicholas Wade, do jornal The New York Times na reportagem “Clone Scientist Relied on Peers and Korean Pride” (25/12/2005).

Resta aguardar pelos resultados das medidas a serem tomadas para evitar futuros engodos, conforme disse dois dias antes desse editorial o mesmo Kennedy em uma declaração pública (“Editorial statement“, 10/01/2006, em formato PDF, 16 kB). Mas nem mesmo essa promessa foi para as páginas da respeitada publicação.

Para os que quiserem ver a retratação e outros documentos, a revista disponibilizou ontem vários documentos em seqüência cronológica na Special Online Collection: Hwang et al. and Stem Cell Issues.

Notas

  1. Science regrets the time that the peer reviewers and others spent evaluating these papers as well as the time and resources that the scientific community may have spent trying to replicate these results.”
  2. HWANG et al., Evidence of A Pluripotent Human Embryonic Stem Cell Line Derived From a Cloned Blastocyst, Science 303, 1669 (2004); e HWANG et al., Patient-Specific Embryonic Stem Cells Derived from Human SCNT Blastocysts, Science 308, 1777 (2005).

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Written by Mauricio Tuffani

sexta-feira, 13/01/2006 at 13:10

Lições da fraude dos clones

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No dia de Natal deste ano, o repórter Nicholas Wade afirmou no jornal The New York Times que a comunidade científica passou a ficar na defensiva com a confirmação de fraude no estudo que mais esperanças trouxe em 2005 para os pesquisadores da área de biotecnologia. No entanto, a divulgação da falsa clonagem de células-tronco embrionárias humanas pelo sul-coreano Hwang Woo-suk, da Universidade Nacional de Seul, precisa também ser motivo de reflexão e de preocupação por parte da imprensa que cobre a área de ciência.

A repercussão mundial do relatório divulgado por Hwang na revista científica norte-americana Science havia estimulado o Ministério da Ciência e Tecnologia sul-coreano a investir US$ 65 milhões no laboratório do pesquisador, guindado à posição de herói nacional e de celebridade internacional. Para 2006, já haviam sido prometidos mais US$ 15 milhões pelo Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social para a criação do Centro Mundial de Célula-Tronco, no qual técnicos de Hwang clonariam células humanas para clientes científicos no exterior, como destacou Wade na reportagem “Clone Scientist Relied on Peers and Korean Pride” (The New York Times, 25/dez/2005).

As importantes revistas científicas que estavam em disputa pela publicação dos trabalhos de Hwang estão agora reexaminando seus procedimentos de avaliação, afirmou Wade. Mas, no que se refere à imprensa, outros procedimentos vinham sendo adotados por líderes da pesquisa nessa área, como bem mostrou na véspera de Natal em seu comentário Células de decepção em massa, na Folha, e em seu blog Ciência em Dia o jornalista Marcelo Leite:

Nos mesmos dias em que pipocava o escândalo, um grupo de bambambãs da biotecnologia publicou uma carta no sítio www. sciencexpress.org defendendo, com palavras escolhidas a dedo, o afastamento da imprensa leiga.

“Acusações feitas pela imprensa sobre a validade dos experimentos publicados na Coréia do Sul são, em nossa opinião, mais bem-resolvidos na comunidade científica”, escreveram os oito autores da correspondência. Entre eles estão Ian Wilmut e Alan Colman, dois dos “pais” da ovelha Dolly.

Essa aplicação da Lei de Ricúpero (“o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”) no plano da divulgação científica, como bem destacou Leite, mostra mais uma vez a necessidade de os profissionais do chamado jornalismo científico refletirem sobre a ênfase que geralmente dão ao papel de tradução que atribuem à sua atividade.

A comparação com personagens do noticiário de outras áreas do jornalismo pode, para muitos pesquisadores, parecer injusta e até ofensiva, principalmente aqui no Brasil, onde são muitas as atividades de pesquisa que só têm continuado graças à persistência e à abnegação de suas equipes. Mas não há como deixar de lado o fato de que há conflitos e disputas acirradas entre os diversos grupos de pesquisa, principalmente quando estão envolvidos recursos financeiros.

Reflexões sobre esse tema já haviam sido propostas há algum tempo aqui no Brasil por Mônica Teixeira [“Pressupostos do Jornalismo de Ciência no Brasil”. in MASSARANI, L. ET AL (orgs.) Ciência e Público: Caminhos da divulgação científica no Brasil. Casa da Ciência, UFRJ. Rio de Janeiro. 2002. pp. 133-141] e por mim (O fogo cruzado no jornalismo de ciência, ComCiência, 10/jul/2003). Recentemente, o assunto foi muito bem colocado por Martha San Juan França em seu artigo “Divulgação ou jornalismo?” [in VILAS BOAS, S. (org.) Formação e informação científica: Jornalismo para iniciados e leigos. Summus Editorial. São Paulo. 2005. pp. 31-47]:

Enquanto repórteres de política e economia freqüentemente vão além dos releases oficiais para comprovar a veracidade das notícias, os colegas de ciência se contentam com a informação autorizada, os papers (relatórios científicos), entrevistas coletivas e revistas especializadas. Enquanto as notícias de outras áreas são normalmente objeto de crítica, a ciência e a tecnologia são poupadas – até que ocorram acidentes trágicos. Se bons jornalistas são reconhecidos – e temidos – por suas análises críticas, no caso de ciência, a investigação e a crítica costumam passar longe.

Em grande parte das notícias de ciência não existe o contraditório. Ao se divulgar um trabalho científico sem citar outras conclusões ou visões sobre o mesmo assunto dá-se a impressão ao leitor de que aquele constitui uma verdade absoluta. O papel do jornalista acaba não sendo muito diferente daquele que seria de um assessor de imprensa do pesquisador que deu a entrevista. E o resultado confunde e lança dúvidas na própria pesquisa. Café faz bem ou faz mal? A dieta A é melhor do que a dieta B? O mundo está ficando mais quente? Cada pesquisa diz uma coisa diferente, mas todas são divulgadas como respostas absolutas para a questão.

A questão está colocada novamente. E, desta vez, de forma muito preocupante.

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Written by Mauricio Tuffani

terça-feira, 27/12/2005 at 7:39

Não deixem de ler: ‘Células de decepção em massa’

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Para os que não leram a edição de sábado da Folha de S. Paulo (24/12), ainda é possível ler no blog Ciência em Dia o excelente comentário do jornalista Marcelo Leite, “Células de decepção em massa”, sobre a fraude do sul-coreano Woo-Suk Hwang com o anúncio da clonagem de células-tronco embrionárias humanas.

O comentário é imperdível até mesmo para aqueles que acompanharam o caso por meio de veículos de imprensa estrangeiros. Simplesmente por que Marcelo fez aquilo que a imprensa renuncia habitualmente a fazer, que é ir além do mero registro das posições dos “dois lados” envolvidos. OK, houve jornalistas que contextualizaram o assunto, mas, na chamada grande imprensa, só ele mostrou como muitos membros da comunidade científica reagem à exposição de suas mazelas — com a Lei de Ricúpero (“o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”):

Na hora do oba-oba, a imprensa veio bem a calhar, pois ajudou a aprovar verbas para pesquisa. Na hora em que essa mesma imprensa lanceta o tumor, pedem que se afaste para que a comunidade científica enfim cumpra a sua obrigação, tendo já falhado uma vez.

Recomendo a leitura do comentário no Ciência em Dia e, para os mais interessados, o registro do link direto de “Células de decepção em massa”.

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Written by Mauricio Tuffani

segunda-feira, 26/12/2005 at 13:26