Laudas Críticas

Archive for the ‘Divulgação científica’ Category

Periódico ‘despublica’ artigo que nega HIV como causa da Aids

Um artigo que afirmava que o HIV não é o agente causador da Aids foi retirado em 19 de dezembro da internet pelo periódico “Health”, que o havia publicado em julho. De autoria do romeno Dumitru Pavel, o artigo foi removido porque “necessita de mais pesquisa e estudo”, segundo a nota de retratação da revista, que pertence ao grupo editorial Scientific Research Publishing (Scirp), que é registrado nos Estados Unidos, mas desenvolve suas atividades na China.

Mais informações em minha reportagem na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

segunda-feira, 05/01/2015 at 8:29

Receita de sucesso acadêmico para intelectos preguiçosos

O lógico e matemático Adonai Sant’Anna, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), publicou ontem em seu blog dois posts sobre assuntos altamente intrigantes. Um deles trata de uma questão crítica no âmbito da física, mas deixarei para comentar depois esse tema. Hoje quero apenas repercutir o outro post, “Conquistando respeito acadêmico sem esforço”.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

domingo, 28/12/2014 at 9:54

O rebocador emocional das teorias da conspiração

Chapéus de papel-alumínio são usados por pessoas que acreditam desse modo proteger seus cérebros de serem espionados por escarpamento eletrônico. Imagem: Jodie McGrath?Creative Commons

Chapéus de papel-alumínio são usados por pessoas que acreditam desse modo proteger seus cérebros de serem espionados por escaneamento eletrônico. Imagem: Jodie McGrath?Creative Commons

Um dos principais fatores para a aceitação das chamadas teorias da conspiração é nossa atração por narrativas de confronto entre o bem e o mal, destacaram os pesquisadores Eric Oliver e Thomas Wood, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, em um artigo publicado na revista de divulgação científica britânica “New Scientist” na segunda-feira (22.dez).

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

terça-feira, 23/12/2014 at 9:40

A caixa-preta do design inteligente

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O movimento negacionista da teoria da evolução de Charles Darwin (1809-1892) voltou a ser notícia recentemente ao realizar em Campinas (SP) o 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente. Há poucos dias, organizadores desse evento contestaram um manifesto em defesa da evolução de professores e pós-graduandos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

terça-feira, 23/12/2014 at 9:34

Cientistas acusam muita discussão e pouca ação na crise hídrica

Trecho do reservatório Cachoeira, do sistema Cantareira. Imagem: Maurício Tuffani/Folhapress

Trecho do reservatório Cachoeira, do sistema Cantareira. Imagem: Maurício Tuffani/Folhapress/28.out.2014

Assinada por 15 cientistas reunidos na capital Paulista no final de novembro e divulgada na semana passada, a “Carta de São Paulo” alerta que há “muita discussão e pouca ação” por parte de órgãos municipais, estaduais e federais em face da ameaça à segurança hídrica da população da região Sudeste, especialmente da Região Metropolitana de São Paulo, do interior de Minas Gerais e do Estado do Rio de Janeiro.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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terça-feira, 16/12/2014 at 12:08

Game de física quântica ganha versão 2.0

Que tal pilotar uma nave que pode ser reduzida a dimensões inferiores à de um átomo, equipada com um disparador de raios, e partir em uma missão para detectar e capturar quarós, léptons, glúons, fótons e outras partículas? Para os fãs de games que querem aprender sobre estrutura da matéria, já está disponível gratuitamente para download o Sprace Game 2.0, que acrescenta 13 novos desafios às quatro missões originais da versão anterior, lançada em 2010.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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quarta-feira, 10/12/2014 at 12:38

O que há por trás das citações entre cientistas

Há outras razões para pesquisadores citarem outros estudos além do imperativo ético e técnico de referenciar as fontes de informações de que se faz uso. É o que afirmam os suecos Martin G. Erikson, da Universidade de Borås, e Peter Erlandson, da Universidade de Göteborgs, no trabalho “A taxonomy of motives to cite”, publicado na revista britânica “Social Studies of Science” em agosto.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sábado, 08/11/2014 at 13:52

A Mata Atlântica em SP cresceu ou diminuiu?

Represa Atibainha, do sistema Cantareira. Imagem: Maurício Tuffani

Represa Atibainha, do sistema Cantareira. Imagem: Maurício Tuffani

Publiquei uma espécie de “reportagem inconclusiva”, ou melhor, um relato de uma apuração jornalística que terminou com a falta de conclusões satisfatórias sobre um assunto que se arrasta pelo menos desde o início deste século: as diferenças de dados entre o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, e do Inventário Florestal do Estado de São Paulo, da SMA (Secretaria do Meio Ambiente do Estado).

O objetivo do post é registrar e divulgar o capítulo mais recente dessa “história sem fim”, relacionado à área do sistema Cantareira, e enfatizar a pergunta do título acima, especialmente para a SMA, que precisa ser mais transparente com seus dados sobre o assunto.

Mais informações em meu blog no site da Folha de S. Paulo.

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quarta-feira, 05/11/2014 at 15:13

A Sabesp e sua ‘economia’ de informação

Depois dos três dias da secura de dados que mencionei no post “A água ainda não acabou, mas a informação já” (19.out), os indicadores precisos sobre o sistema Cantareira voltaram a estar disponíveis nesta segunda-feira (20.out) na Sala de Situação da ANA (Agência Nacional de Águas). A descontinuidade, informou o órgão federal, aconteceu porque a Sabesp havia interrompido o fornecimento desses dados.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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segunda-feira, 20/10/2014 at 19:58

A água não acabou, mas a informação já

Sistema-Cantareira_16-out

Enquanto resta pouco para acabar a primeira parte de volume morto do sistema Cantareira disponibilizada desde maio, parece que já secaram as fontes de informações atualizadas diariamente sobre esse conjunto de reservatórios que ainda abastece mais da metade da população da região metropolitana de São Paulo.

Desde sexta-feira (17.out) a Sala de Situação da ANA (Agência Nacional de Águas) não tem atualizado seus boletins diários sobre o sistema Cantareira, elaborados pelo órgão e pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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domingo, 19/10/2014 at 11:44

Mensagem para jovens interessados em fósseis

Um livro sobre dinossauros que ganhou de presente por volta dos oito anos de idade foi o ponto de partida para Michael Benton, hoje professor da Universidade de Bristol, no Reino Unido, seguir um caminho que o levou a se tornar um dos maiores nomes da paleontologia atual. Ele gravou uma mensagem para os jovens que se interessam por fósseis, de dinossauros ou de quaisquer outros seres que viveram no planeta.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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terça-feira, 07/10/2014 at 13:18

Revista científica com caso de plágio teve maior ‘impacto’ do Brasil em 2013

A revista científica brasileira com maior fator de impacto em 2013 foi a “D&MS” (“Diabetology and Metabolic Syndrome”), publicada pela Sociedade Brasileira de Diabetes. Em segundo lugar, ficou a “Revista Brasileira de Psiquiatria”, que foi a primeira colocada em 2012. O terceiro lugar ficou para “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”, que teve a mesma posição na classificação anterior.
Apesar do sucesso na lista, a revista “D&MS” se viu em uma polêmica em maio. A então editora-chefe da publicação, que naquele mês se desligou do cargo, teve um trabalho retratado (despublicado) por conta de plágio.

A reportagem completa feita por mim e pela jornalista Giuliana Miranda está na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

quinta-feira, 02/10/2014 at 6:57

Centros de pesquisa fazem divulgação científica ou relações públicas?

Muitas das instituições científicas em todo o mundo, inclusive universidades, intensificaram sua divulgação de notícias sobre pesquisas e novidades de seus trabalhos. Um artigo publicado na segunda-feira (22.set) na revista eletrônica “JCOM” (“Journal of Science Communication”) discute se esse trabalho dessas instituições consiste em uma atividade de divulgação científica ou de relações públicas.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sábado, 27/09/2014 at 14:59

A abundância e a miséria da água na Amazônia

Imagem: Divulgação

Infográfico da plataforma Visaguas, da Rede InfoAmazonia. Imagem: Divulgação

No Brasil, 82,7% dos municípios são atendidos por rede de água, segundo o Censo 2010 do IBGE. Na Amazônia, que dispõe de 73% quantidade de toda a vazão de água doce do Brasil, esse percentual deveria ser igual ou maior, mas não é: apenas 60% dos 771 municípios dessa região têm esse serviço.

Esses e outros dados relevantes sobre a situação dos recursos hídricos na região estão disponíveis em uma plataforma inaugurada neste mês, a Visaguas.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sexta-feira, 26/09/2014 at 20:57

Um dia especial do gráfico desinformativo da Sabesp

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Página “Situação dos Mananciais”, do site da Sabesp. Imagem: Reprodução.

Este sábado (20.set) é um dia especial da página “Situação dos Mananciais” do site da Sabesp. Nesta data, ela mostra igualadas em 8,2% as duas barras do gráfico do armazenamento do sistema Cantareira. Desde maio, quando começou a ser usado o chamado volume morto, isso está induzindo enganosamente a imagens menos alarmantes do que a da realidade.

O volume de água disponível para consumo não é 8,2% mas 6,9%, se for calculado sem o artifício de desconsiderar a parte da reserva acrescentada ao volume útil em 15 de maio.

Mais informações me meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sábado, 20/09/2014 at 15:35

A fonte do absurdo dado sobre crianças de rua no Brasil

Boletim da Unicef, de 1984, que afirmava erroneamente que havia 30 milhões de crianças de rua no Brasil em 1983. Imagem: Reprodução.

Boletim da Unicef, de 1984, que afirmava erroneamente que havia 30 milhões de crianças de rua no Brasil em 1983. Imagem: Reprodução.

Eu mencionei no post de segunda-feira (15.set) a lenda urbana dos 30 milhões de crianças de rua no Brasil em meados dos anos 1980, baseando-me em um novo estudo, do antropólogo norueguês Ole Bjorn Rekdal, da Universidade de Bergen. Ele gentilmente enviou o link de uma cópia do boletim “Unicef Ideas Forum”, número 18, de 1984, que por sua vez atribuiu o dado de 30 milhões de crianças de rua no país a um relatório de julho daquele ano de uma “associação de juízes de varas de infância”.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sábado, 20/09/2014 at 10:31

O agosto mais quente desde 1880 e o aquecimento global

Quadro com variações da temperatura média combinada das superfícies de solos e mares de agosto deste ano em relação às do período 1981-2010 para o mesmo mês. As áreas em cinza não foram computadas. Imagem: Noaa/Divulgação

Quadro com variações em graus Celsius da temperatura média combinada das superfícies de solos e mares de agosto deste ano em relação às do período 1981-2010 para o mesmo mês. As áreas em cinza não foram computadas. Imagem: Noaa/Divulgação

A temperatura média mundial combinada das superfícies dos solos e dos mares em agosto deste ano, que foi de 16,35° C , foi a maior já registrada para esse mês nos últimos 134 anos, informou ontem (quinta-feira, 18.set) a Noaa (Agência Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos).

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 19/09/2014 at 12:24

As lendas da ciência e suas referências fajutas

Folhas de espinafre, alimento erroneamente conhecido como um dos mais ricos em ferro. Imagem: Nillerdk/Creative Commons

Folhas de espinafre, alimento erroneamente conhecido como um dos mais ricos em ferro. Imagem: Nillerdk/Creative Commons

A ciência também tem suas lendas urbanas. Elas acontecem por meio da reprodução de alegações com referências vagas ou imprecisas em artigos científicos, uma prática cada vez mais frequente, destaca o pesquisador norueguês Ole Bjørn Rekdal, da Universidade de Bergen em um artigo a ser publicado na próxima edição da revista “Portal: Libraries and the Academy”. O autor aponta uma “mentalidade de rebanho” na forma da aceitação passiva de opiniões mal explicadas que favorece as condições em que nascem e se multiplicam crenças sem fundamento ou até mesmo completamente falsas.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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segunda-feira, 15/09/2014 at 16:04

Amazônia: números de desmatamento encobrem devastação

Área da Floresta Amazônica  no norte de Mato Grosso, degradada por queimadas. Imagem: Maurício Tuffani/FolhaPress (27.ago.2014)

Área da Floresta Amazônica no norte de Mato Grosso, degradada por queimadas. Imagem: Maurício Tuffani/FolhaPress (27.ago.2014)

“A natureza ama esconder-se” tem sido a principal tradução de um dos fragmentos que restaram do pensamento do filósofo pré-socrático Heráclito, que viveu nos séculos 6º e 5º a.C. em Éfeso, na atual Turquia. Levando em conta que phýsis não significa apenas “natureza”, na década de 1940 o alemão Martin Heidegger (1889-1976) traduziu essa expressão, numa primeira abordagem, para “o aparecimento favorece o encobrimento”. Grosso modo —pois a reflexão desse pensador vai muito além—, tudo que surge encobre. Isso dá o que pensar sobre o conhecimento em geral, a vida, a política e, no presente caso, sobre a devastação da Amazônia.

Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 12/09/2014 at 17:52

‘Science’ cutuca ‘Nature’ por má revisão de artigos com fraude

Abertura de video de divulgação de pesquisa japonesa sobre celulas-tronco, produzido antes de ser comprovada fraude no estudo. Imagem: Reprodução

Abertura de video de divulgação de pesquisa japonesa sobre celulas-tronco, produzido antes de ser comprovada fraude no estudo. Imagem: Reprodução

A conceituada revista científica britânica “Nature” enfrenta novos dissabores por ter publicado em janeiro deste ano dois estudos que tiveram de ser retratados após ser comprovada a adulteração de imagens de experimentos com células-tronco de camundongos. Antes de serem aceitos por essa publicação, os mesmos trabalhos foram rejeitados por três revisores da rival “Science”, que levantaram mais de 20 objeções, inclusive às imagens.

Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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quinta-feira, 11/09/2014 at 16:03

Não tomarás o nome de Einstein em vão

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Sugiro um décimo-primeiro mandamento para certos seguidores de religiões monoteístas: “Não tomarás o nome de Albert Einstein em vão”. O físico alemão que formulou a teoria da relatividade tem sido frequente e falsamente apontado como crente em Deus. Lamentavelmente, em alguns casos até mesmo para mostrar suas ideias como compatíveis com a dos criacionistas, que negam a teoria da evolução dos seres vivos pela seleção natural.  Estava demorando para essa desinformação surgir na recente polêmica sobre a religiosidade de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República.

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terça-feira, 09/09/2014 at 11:40

Asneira criacionista requentada: Darwin inspirou Hitler

Página de abertura do site "From Darwin to Hitler", do criacionista Richard Weikart. Imagem: reprodução

Página de abertura do site “From Darwin to Hitler”, do criacionista Richard Weikart. Imagem: reprodução

Em mais um lamentável capítulo do vale-tudo contra a teoria da seleção natural dos seres vivos, acaba de ser requentada uma das mais estúpidas asneiras criacionistas de todos os tempos. Richard Weikart, professor de história da Universidade do Estado da Califórnia em Stanislaus, decidiu recentemente dar uma turbinada na página que mantinha desde 2004 para divulgar seu livro “De Darwin a Hitler”, transformando-a em um repositório de todos os seus trabalhos.

Mais informações em meu blog no site da Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

domingo, 24/08/2014 at 16:31

‘Errinho’ anula estudo chinês sobre aneurisma

Imagem: Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Imagem: Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos

Ao pesquisarem um tratamento experimental para aneurisma na parte da aorta abdominal abaixo dos rins, quatro médicos chineses usaram imagens e dados da parte superior dessa artéria no estudo que publicaram em novembro de 2013. Por isso, o artigo teve de ser retirado, informou o atento blog norte-americano “Retraction Watch”.

Leia o post em meu blog no site da Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 22/08/2014 at 14:49

Tendências das revistas de direito no Brasil

A Justiça, em mural de Halle, na Alemanha. Imagem: Ralf Lotys/Reprodução Creative Commons

A Justiça, em mural de Halle, na Alemanha. Imagem: Ralf Lotys/Reprodução Creative Commons

O grupo multinacional Thomson Reuters, que em 2010 incorporou a Editora Revista dos Tribunais, anuncia nesta quinta-feira (21.ago) o lançamento em São Paulo da “Revista de Direito de Família e Sucessões”, e prevê até o final do ano outro título, a “Revista de Direito Civil Contemporâneo”. Com isso, será ampliado para 26 o total de suas publicações na área jurídica. Pode ser o fortalecimento de uma tendência de novos rumos no campo das publicações brasileiras especializadas no direito.

Mais informações em meu blog na Folha de S. Paulo.

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quinta-feira, 21/08/2014 at 20:02

Novos mistérios do volume morto

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Apesar do título, este post se refere a uma história de suspense, e não de terror, pelo menos por enquanto. Não bastasse a situação dramática de rios e reservatórios de água no Estado, o governo de São Paulo e a Sabesp não têm tratado o assunto com a transparência necessária para uma adequada mobilização da sociedade. Mesmo agora, já tendo sido consumidos 69,7 milhões do total de 182,5 milhões de metros cúbicos do volume morto do sistema Cantareira em uso desde 15 de maio.

Mais informações em meu blog no site da Folha de S. Paulo.

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segunda-feira, 04/08/2014 at 18:36

Mudança climática e jornalismo investigativo

Imagem:  Nasa/GSFC/Jefferson Beck

Imagem: Nasa/GSFC/Jefferson Beck

Mesmo que nos próximos anos seja possível o acordo internacional sobre o clima, será difícil ele ter força para assegurar as medidas de controle das emissões de gases-estufa para evitar que a temperatura média global aumente de 1,8ºC a 4ºC até o ano de 2100, previstas no Protocolo de Quioto, de dezembro de 1997. Essa foi a conclusão do debate “Estamos perto de um acordo global sobre o clima?”, no qual participei como mediador ontem (quinta-feira, 24.jul) no 9º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.

Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 25/07/2014 at 15:46

O mistério da quase-morte

Imagem: Jesse Krauss/Wikimedia Commons

Imagem: Jesse Krauss/Wikimedia Commons

A tranquilidade foi a característica mais frequente em cerca de 90% dos relatos de experiências de quase-morte em um estudo recente. E muitas vezes com direito à visão de luz no fim de um túnel. Apenas dois relatos, menos de 1% do total, foram de experiências marcadamente negativas.

Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 27/06/2014 at 15:43

Quem não somos nós?

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Diferentemente dos neandertais, somos uma espécie quase incapaz de ver sem atribuir significados automaticamente ao que vemos, ou seja, com muita dificuldade de nos manter no estado mental semelhante ao que buscam os adeptos de diferentes formas de meditação.

Leia o post completo no meu blog na Folha de S. Paulo.

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sexta-feira, 20/06/2014 at 18:37

A euforia genética e sua ressaca

Francis Collins (dir.), diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, ao lado de Bill Clinton, na Casa Branca, anunciando a decifração do genoma humano em junho de 2000 (Imagem: AFP)

Francis Collins (dir.), diretor dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, ao lado de Bill Clinton, na Casa Branca, anunciando a decifração do genoma humano em junho de 2000 (Imagem: AFP)

A edição de hoje da Folha traz uma notícia importante sobre a atitude de cientistas na construção de esperanças da sociedade. É a entrevista “Houve excesso de otimismo com o DNA, diz líder do Projeto Genoma”, feita pelo jornalista Marcelo Leite com uma das maiores autoridades científicas e governamentais do mundo na área da pesquisa em genética médica, Francis Collins, diretor dos NIH (Institutos Nacionais de Saúde) dos Estados Unidos desde 2009.

Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sábado, 24/05/2014 at 14:52

O morto da discórdia do sistema Cantareira

Operários testam captação de água no sistema Cantareira, em Joanópolis (SP). Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Operários testam captação de água no sistema Cantareira, em Joanópolis (SP). Imagem: Moacyr Lopes Junior/Folhapress

Depois de divergirem sobre o percentual de água disponível para abastecimento no sistema Cantareira, post de quarta-feira, a Sabesp e o comitê anticrise criado em fevereiro pelos governos estadual e federal têm mais uma discordância. Desta vez, a discrepância não é sobre a forma de cálculo de um indicador. O desacordo está na própria quantidade de água da reserva conhecida como volume morto, que começou a ser usada no dia 15 para garantir a continuidade do abastecimento de cerca de 9 milhões de habitantes da Grande São Paulo. Leia o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

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sábado, 24/05/2014 at 8:39

Crise no jornalismo estimula aumento de blogs científicos

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13th-PCST-2014

O título acima é de uma reportagem de hoje da Agência Fapesp, assinada pelo jornalista Elton Alisson. Ele esteve na 13ª PCST (Conferência Internacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia), realizada de 5 a 8 de maio em Salvador, na Bahia.

Reproduzo a seguir apenas o primeiro parágrafo dessa matéria.

A crise pela qual passa o jornalismo mundial, causada em parte pela convergência para novas plataformas digitais, tem afetado a cobertura jornalística de ciência e estimulado o surgimento de blogs científicos em diversos países, inclusive no Brasil.

A informação se refere à apresentação feita por Juliana Santos Botelho, pesquisadora e coordenadora de Comunicação Científica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em um painel sobre o uso de mídias sociais na comunicação da ciência.

Em breve escreverei sobre esse assunto. Por enquanto, recomendo a leitura da reportagem “Crise no jornalismo estimula aumento de blogs científicos”.

Written by Mauricio Tuffani

quinta-feira, 22/05/2014 at 9:09

Os três percentuais do sistema Cantareira

Captura de tela 2014-05-21 14.13.00

Aqui em São Paulo, enquanto diminuem as águas do sistema Cantareira, aumenta a quantidade de índices para medi-las. Desde segunda-feira, dia 19, as pessoas que vivem na região abastecida por esse conjunto de reservatórios operados pela Sabesp têm à sua disposição três indicadores diferentes para acompanhar diariamente o nível do volume de água armazenado.

Leia o post completo no meu blog no site da Folha de S. Paulo.

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quarta-feira, 21/05/2014 at 12:13

Sites para acompanhar a situação das águas

with one comment

 

Captura de tela 2014-05-13 10.11.21Acompanho diariamente pela internet o nível dos reservatórios do Sistema Cantareira, que nesta manhã ainda mostra os 8,6% e volume de água armazenado registrados ontem à tarde (segunda-feira, 12.mai). Acabo de publicar em meu blog na Folha um post com sugestões de sites para fazer esse acompanhamento.

Leia o post completo.

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terça-feira, 13/05/2014 at 13:15

Ciência na TV, didatismo e jornalismo chapa-branca

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Ciencia-Na-TV

Já está disponível na internet o vídeo do episódio “Ciência na TV”, do programa Ver TV, que foi exibido pela TV Brasil no dia 2 de maio. Luís Barco, Mariluce Moura e Daniel Ângelo participaram do debate, apresentado e mediado por Lalo Leal, sobre a ciência mostrada pela televisão. Eu participei com dois comentários, que foram gravados antes da discussão e exibidos e comentados pelos três convidados.

Um dos principais assuntos discutidos pelos convidados foi o didatismo na divulgação científica por meio da televisão, que sempre remete ao tema da “tradução” da linguagem especializada dos cientistas para a compreeensão do público em geral. E foi nesse ponto que o apresentador colocou na roda o meu comentário, no qual destaquei que jornalismo não é só tradução, também é crítica.

Luís Barco é matemático formado pela USP, onde foi professor titular da Escola de Comunicação e Artes (ECA), e também lecionou divulgação científica na Universidade Mackenzie, na Escola de Engenharia de Lins e em outras instituições de ensino. Mariluce Moura é jornalista, doutora em comunicação, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, diretora de Redação da revista Pesquisa Fapesp e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico. Daniel Ângelo é físico e apresentador do programa “Ciência em Casa”, exibido pelo National Geographic, e do quadro “Ciência em Show”, do “Programa da Eliana” (SBT).

O apresentador Lalo Leal é sociólogo, jornalista, pesquisador de políticas da comunicação Lalo Leal e professor da ECA-USP. Exibido todas as sextas-feiras às 20h, o programa “Ver TV” discute, com a participação de especialistas convidados, as tendências e novas abordagens da televisão brasileira.

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domingo, 11/05/2014 at 11:59

Voto deixa de ser nominal em conselho de experiências com animais

Funcionária com cães mantidos em cativeiro no Instituto Royal, que realiza pesquisas de medicamentos (Imagem: Danilo Verpa/Folhapress)

Funcionária com cães mantidos em cativeiro no Instituto Royal, que realiza pesquisas de medicamentos (Imagem: Danilo Verpa/Folhapress)

As decisões do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal) não serão mais realizadas por meio de declaração dos votos de seus conselheiros. O novo regimento interno desse órgão, publicado na sexta-feira (2.mai) no “Diário Oficial da União”, estabelece que deixam de ser nominais e passam a ser quantitativas as deliberações sobre credenciamento de instituições e normas para uso de animais em atividades de pesquisa e ensino.

Leia o post completo em meu blog no site da Folha de S. Paulo.

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terça-feira, 06/05/2014 at 9:06

Editora Unesp lança mais 57 e-books gratuitos

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Bioenergia-DIGITAL 1 A partir de amanhã (terça-feira, 6.mai) a Editora Unesp passará a ter mais 57 títulos em seu catálogo de livros digitais que podem ser baixados gratuitamente. Com esse acréscimo, aumentará para 249 o total de obras com livre acesso para download da coleção, que foi iniciada em 2010. Para mais informações sobre os novos lançamentos e o acervo completo, clique aqui.

Written by Mauricio Tuffani

segunda-feira, 05/05/2014 at 13:43

Vale-tudo contra Darwin termina em vexame

453px-Charles_Darwin_statue_5661rO apelo ao vale-tudo para negar a teoria da evolução terminou em vexame nesta semana. Criacionistas comemoravam o que acreditavam ser a refutação da seleção natural proposta por Charles Darwin em “A Origem das Espécies”, quando caiu sobre eles um balde de água gelada.

Leiam o post completo em meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sábado, 03/05/2014 at 15:49

Nível do sistema Cantareira cai para 11,7%; acompanhe pela internet

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Sistema-Cantareira

O volume de água do sistema Cantareira diminuiu de 11,9% para 11,7% entre ontem e hoje (quarta-feira, 23.abr). Os níveis dos reservatórios de água que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo podem ser acompanhados diariamente pela internet.

A Sabesp mantém uma página que permite esse acompanhamento de cada um dos seis sistemas dessa região, que são o Alto Cotia, Alto Tietê, Cantareira, Guarapiranga, Rio Claro e Rio Grande.

Basta entrar na página Situação dos Mananciais. Ela possui uma ferramenta que permite verificar também os níveis de água de cada um desses sistemas em datas retroativas. Além do volume de água, o site informa também, para cada dia e sistema, a pluviometria (medida das chuvas) do dia, a acumulada no mês e a média histórica do mês.

Esse link merece ser guardado nos favoritos.

A ciência não nega Deus, e o azeite não tem colesterol

A religião é um assunto que costuma atrair muita atenção às vésperas do Natal e da Páscoa. Na segunda-feira (14.abr), primeiro dia do Pesach judaico e desta semana que termina no domingo da Ressurreição, o escritor Amir Aczel, autor de várias obras de divulgação científica, publicou no portal The Huffington Post o artigo Matando o Deus de Einstein. No dia seguinte, ele lançou o livro “Por que a Ciência não Desmente Deus”. O foco das duas publicações é a controvérsia entre ciência e religião. Ainda não li o livro, que mal acaba de ser posto à venda na Amazon e na Barnes and Noble, mas espero que ele não tenha a mesma retórica argumentativa do artigo.

Leia o post completo no meu blog na Folha de S. Paulo.

Written by Mauricio Tuffani

sexta-feira, 18/04/2014 at 22:28

Subsídios críticos para o trabalho da imprensa em desastres ambientais

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Um estudo publicado já há alguns meses traz subsídios críticos importantes para o trabalho de jornalistas na cobertura de acontecimentos relacionados a eventos geradores de graves prejuízos para o meio ambiente e para a saúde humana.

Apesar de sua análise ter sido restrita a um único caso — a mortandade de peixes, crustáceos e outros animais em um estuário na região de Natal (RN) em julho de 2007 —, o artigo “Desafios da divulgação científica em cobertura jornalística de desastre ambiental” aponta problemas com o uso de termos científicos e com o tratamento de informações relacionadas a eles.

Termos técnicos

O trabalho foi publicado na revista Ciência & Educação, editada pela Faculdade de Ciências do campus da Unesp em Bauru, por Luiz Fernando Dal Pian, da Escola de Comunicações e Artes da USP, e Daniel Durante Pereira Alves, do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

O dois pesquisadores analisaram o uso dos termos “metais pesados”, “amônia”, “metabissulfito de sódio”, “demanda bioquímica de oxigênio”, “eutrofização” e “demanda química de oxigênio” em 34 textos publicados entre a última semana de julho de 2007 e a última semana do mês seguinte. Entre outras conclusões, os autores apontaram a seguinte.

A análise de conteúdo jornalístico identificou o tratamento um tanto precário dos conceitos científicos capazes de fundamentar os reais motivos relacionados à mortandade de toneladas de fauna aquática, contribuindo pouco para a formação e educação ambiental dos leitores.

Confronto de acusações

Dal Pian e Alves observaram que as autoridades atribuíram a mortandade de seres vivos a fatores naturais, mas, posteriormente o laudo técnico preliminar do órgão estadual de meio ambiente chegou a outra conclusão. Desse modo,

A partir de então, os acontecimentos construídos pela cobertura da mídia impressa expuseram o confronto de acusações entre os diversos atores envolvidos e suas diferentes versões, cumprindo, assim, com um dos deveres éticos do jornalismo, que é o de buscar uma diversidade de fontes. No entanto, em casos como esses, em que diversas instituições participam das apurações e em que as provas de sustentação de causalidade e de culpabilidade são construídas ao longo do tempo, os jornalistas deveriam recorrer mais às suas ferramentas investigativas, ouvir novas fontes, levantar novas evidências e comparar os laudos emitidos. Ou seja, qualificar a apuração ao longo do tempo, ser mais proativos na busca por explicações causais e recolocar o assunto na pauta jornalística.

Cientistas e jornalistas

O assunto instiga várias possibilidades de discussão. A preferida de grande parte dos cientistas é sobre a qualidade da tradução da linguagem especializada para a linguagem do público em geral. Isso é importante, mas o trabalho do jornalista não se restringe a fazer essa tradução; ele inclui também abordar criticamente as versões das fontes especializadas. Felizmente Luiz Fernando Dal Pian e Daniel Durante Pereira Alves foram devidamente atentos a isso em seu estudo.

De minha parte, essa pesquisa reforça uma das conclusões de um estudo que produzi há alguns anos: a questão crucial do jornalismo na área de ciência acabou por se tornar a mesma do jornalismo em geral neste neste início de século: o essencial não é saber se os jornais vão desaparecer, nem se os profissionais de imprensa serão todos terceirizados, mas se a função do jornalista deixará de ser a produção da informação para se restringir ao mero gerenciamento dela.

Brasil ganha elogio na estreia de ‘Anos para Viver Perigosamente’

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Estrelada por Harrison Ford e Don Cheadle, a série “Anos para Viver Perigosamente“, cujo tema central é o aquecimento global, será lançada pelo ShowTime domingo (13.abr), mesmo dia em que será divulgado o próximo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). Nesse primeiro episódio, o Brasil não só fica fora da pancadaria que tradicionalmente tem recebido por causa da devastação da Amazônia, mas também é apontado por cientistas da Nasa como o país que mais tem reduzido os desmatamentos.

Criada por Joel Bach e David Gelber, produtores do telejornal norte-americano 60 Minutos, a série tem em sua produção Arnold Schwarzennegger e James Cameron, diretor e autor de “Titanic” e “Avatar”. Para os episódios seguintes estão previstas as participações, como entrevistadores, de Matt Damon, Jessica Alba e outros astros de Hollywood.

Documentário

“Viemos com a ideia de fazer uma série de documentários no modelo do 60 Minutos“, declarou Gelber em entrevista anteontem ao Sun Herald, na qual afirmou também que ele e Bach, seu sócio na criação do novo programa, acreditam que a mudança climática é a história mais importante desta geração, mas está recebendo pouca atenção da mídia.

O primeiro episódio está disponível com closed caption original no YouTube no vídeo a seguir. E um preview do segundo, com a participação de Ian Somerhalder, galã da série “The Vampire Diaries”, também já pode ser acessado.

Secas e desmatamentos

A irrupcão e o agravamento das secas em diversas regiões do mundo como consequências do aquecimento global é o assunto central do primeiro episódio, que tem início em pleno Vale do Silício, na Califórnia. Lá, no Centro de Pesquisas Ames, da Nasa, em Mountain View, Harrison Ford pega carona em um jato em missão de coleta de amostras de ar em altitudes de alguns quilômetros. Em seguida, o ator-entrevistador conversa com cientistas da Divisão de Supercomputação Avançada da agência espacial.

Depois de receber explicações sobre a conexão entre as secas e o aumento da temperatura média global por meio das crescentes emissões de dióxido de carbono e metano, Ford ouve do indiano “Rama” Nemani, diretor do Laboratório de Previsão Ecológica da Nasa, que 20% desses gases lançados à atmosfera vêm de desmatamentos.

Texas, Síria e Indonésia

“O melhor país em termos da redução de desmatamentos tem sido o Brasil”, afirma para Ford o geógrafo Mathew Hansen, da Universidade de Maryland, que acrescenta ser a Indonésia o pior dos maus exemplos no combate ao desflorestamento. A partir daí o entrevistador segue para o Sudeste Asiático para constatar in loco que a derrubada de florestas tropicais acontece em grandes proporções até mesmo dentro de grandes parques nacionais, envolvendo a extração de óleo de palma para a fabricação de xampus e outros produtos de limpeza pessoal.

Na Indonésia, Ford reporta os desmatamentos seguidos de queimadas e suas enormes emissões de gases estufa. Don Cheadle visita diversas comunidades arrasadas economicamente pela estiagem no Texas. E Thomas Friedman, repórter do New York Times, vai ao Oriente Médio para compreender o agravamento das causas da guerra civil na Síria pelas secas.

Paro de antecipar informações por aqui, pois detalhes sobre o que já foi dito seriam spoilers. O que importa, desde já, é observar que, apesar de ter o mesmo propósito, “Anos para Viver Perigosamente” com seu formato não deverá ser, para o público menos engajado, tão chato quanto “Uma Verdade Incoveniente”. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, por sua iniciativa de fazer o filme e de nele participar ganhou o apelido de “Al Bore” (algo como “Al Maçante”).

Vamos com calma

Por mais justa que seja a menção ao Brasil nesse primeiro episódio como bom exemplo no combate ao desmatamento, não dá para deixar de lado que nosso país já foi longe demais na tolerância à destruição de nossas florestas. Em fevereiro, poucos dias depois do anúncio do Ministério do Meio Ambiente da redução dos desmatamentos na Amazônia brasileira, este mesmo blog mostrou que a extensão da devastação acumulada nessa região passou de 377,6 mil km2 em 1988 para 759,2 mil km2 em 2013.

Essa superfície já desmatada corresponde aproximadamente à metade de todo o estado do Amazonas, que é de 1,57 milhão de quilômetros quadrados). Equivale também ao triplo da área do estado de São Paulo (248,2 mil km2), que é pouco maior que a do Reino Unido (243,1 mil km2). Antes que comecem a soltar rojão pegando carona no primeiro episódio da série, vale lembrar esses outros números do post “Amazônia desmatada é o triplo da área de SP” (25.fev).

 

 

 

‘Cosmos’ estreia sob ataques de criacionistas e caçadores de erros

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Lançada nos Estados Unidos no domingo (9.mar) e no Brasil nesta quinta-feira (13.mar) pelo canal National Geographic (22h30), a série Cosmos – Uma odisseia no espaço-tempo já começa sob críticas de caçadores de erros e ataques de contestadores da teoria da evolução. Inspirado na série Cosmos – Uma viagem pessoal, de 1980, idealizada e apresentada pelo astrônomo Carl Sagan (1934-1996), o novo programa tem como anfitrião o astrofísico e divulgador científico Neil deGrasse Tyson, diretor do Planetário Hayden, do Museu Americano de História Natural, e personalidade muito atuante nos meios de comunicação.

A nova série tem tudo para conseguir sucesso em audiência. Além de contar com a parceria do NatGeo com o canal Fox e com a rede educativa de TV PBS , a versão repaginada da iniciativa de Sagan tem efeitos especiais de grande impacto visual que não eram possíveis há 34 anos e um apresentador plenamente articulado com os recursos das novas tecnologias de comunicação.

No momento em que este artigo foi concluído, Tyson já contava com cerca de 935 mil seguidores em sua página no Facebook e com mais de 1,74 milhão no seu perfil no Twitter. Outra participação de importância midiática na equipe do programa é o produtor executivo Seth MacFarlane, um dos criadores de Family Guy (Uma Família da Pesada), que é sucesso desde 1999.

Jogo dos cinco erros

Como acontece com grande parte das iniciativas de popularização da ciência, Cosmos não poderia deixar de receber acusações de imprecisão. A crítica mais recente foi publicada nesta quinta-feira por Hank Campbell, co-autor do best-seller “Science Left Behind” (A Ciência deixada para trás), de 2012. Ele postou “Cinco coisas que deram errado com Neil de Grasse Tyson“, destacando no blog as frases “Qual é a precisão da ciência em Cosmos? Isso tem importância? Ela seria boa mesmo sendo ruim, como pizza?”

Ressalvando que reconhece em Tyson um espírito aberto a críticas como em Sagan, Campbell afirma que identifica quatro erros no o primeiro episódio da série, “De pé na Via Láctea”: a comparação da quentíssima atmosfera de Vênus com o efeito estufa da Terra, a menção aos multiversos ou múltiplos universos como se sua existência fosse uma verdade científica, a propagação de sons da fictícia espaçonave pilotada pelo apresentador e que são impossíveis na imensidão do espaço e, finalmente, a apresentação do filósofo e teólogo Giordano Bruno (1548-1600) com uma importância para a ciência maior do que a do astrônomo, físico e matemático Galileu Galilei (1564-1642).

E Campbell acrescenta um problema que afirma ser de “estilo”: não dá certo, segundo ele, apresentar os cerca de 14 bilhões de anos desde a explosão do Big Bang condensados nos 12 meses de um ano, fazendo com que cada dia nesse calendário seja equivalente a aproximadamente 40 milhões de anos.

Exageros

Campbell tem razão em suas quatro primeiras objeções, apesar de que podem até ser consideradas “licenças poéticas” as três escorregadelas iniciais sobre Vênus, os multiversos e o som que não se propaga no espaço. Mas ele exagera no que afirma ser uma objeção de estilo e parece procurar chifre em cabeça de cavalo quando afirma que escolha da explicação com a evolução Universo desde o Big Bang por meio da analogia com o calendário de 12 meses, onde a civilização humana aparece em uma fração do último segundo, se deve ao “ateísmo declarado” do produtor Seth MacFarlane.

Ou seja, o criador de Family Guy teria forçado a barra para usar um modelo que mal mostra o surgimento dos humanos para menosprezar o período que muitos interpretam como sendo  o da obra Criação de Deus. A menos que o objetivo não seja popularizar conhecimentos da ciência, não faz sentido rejeitar analogias como essa.

Galileu menosprezado

Mas, apesar de ter Tyson ter afirmado que Bruno não era cientista, o episódio tem uma longa animação dramatizada sobre o teólogo condenado à fogueira pela Inquisição e dá pouquíssima importância para Galileu, deixando de lado seus enfrentamentos científicos com as autoridades do saber eclesiástico de sua época. Nesse ponto Campbell está coberto de razão.

Em 1609, modificando um dispositivo óptico que aproximava a observação de objetos, construído no ano anterior por holandeses, Galileu construiu o telescópio, que teve esse nome a partir de 1611. Seu uso permitiu refutar a concepção de que a Terra estava no centro do mundo e de que todos os corpos celestes eram imutáveis e perfeitos, formados por éter, como havia afirmado Aristóteles (384-322 a.C.), em Sobre o Mundo e Sobre o Céu, e também Cláudio Ptolomeu (87-151 d.C.), em seus manuscritos Almagesto e Tetrabiblos.

A iniciativa de Galileu ultrapassou o âmbito da astronomia, não só por articular uma nova etapa na história do conhecimento, com a rejeição da autoridade da religião nas ciências naturais e a afirmação da autonomia do uso da observação, da experimentação e da superioridade do raciocínio demonstrativo matemático na busca da verdade sobre os fenômenos da natureza. Ele também superou a concepção teológica judaico-cristã de que o conhecimento era imutável e de que tudo o que existe e acontece já havia sido previsto por Deus no Gênesis. Nada seria novo, pois tudo o que se acrescentasse ao conhecimento somente confirmaria — e jamais modificaria — as eternas verdades bíblicas. Em outras palavras, acreditava-se que, aconteça o que acontecer, “não há nada de novo debaixo do sol” (Eclesiastes, 1,9).

Briga com criacionistas

No domingo, já antes da apresentação de seu primeiro episódio, a nova série já estava com os dias contados para não ter problemas com os criacionistas em geral e também com os adeptos do chamado design inteligente, que são opositores mais sofisticados à evolução das espécies por meio da seleção natural. Em entrevista à CNN, Tyson ouviu do jornalista Brian Stelter a pergunta sobre como intermediar a paz na “guerra contra a ciência”, referindo-se principalmente aos contestadores do aquecimento global.

O astrofísico respondeu que a imprensa tem a vantagem de não se prender ao ethos da ciência, baseado na discussão interna na comunidade acadêmica, mas que os jornalistas agem errado quando, para “ouvir o outro lado”, contrapõem afirmações científicas com opiniões não científicas. E, como destacou Jack Mirkinson no Huffington Post (10.mar), acrescentou:

Você não fala sobre a Terra esférica com a Nasa e, em seguida, diz “vamos dar tempo igual ao pessoal da Terra plana”. Além disso, a ciência não existe para você agir como ao escolher cerejas. (…) O bom da ciência é que ela funciona com você acreditando ou não nela.

Não demorou para surgirem manifestações criacionistas, como o artigo “Neil deGrasse Tyson: velho produto, nova embalagem“, no site do Instituto Discovery. Aqui no Brasil, defensores da teoria do design inteligente, inclusive membros da comunidade científica, já conversam por e-mails para articular uma reação.

Atuação da imprensa

Tyson tem razão quando afirma que não é correto tentar equilibrar posições científicas com opiniões religiosas, como fazem muitas vezes os meios de comunicação quando o contexto da notícia é o conhecimento. Por outro lado, jornalistas especializados em ciência muitas vezes agem como se não existissem pesquisadores que contestam a teoria da evolução e apresentam argumentos para isso. É o caso, no Brasil, de Marcos Eberlin, professor do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com um currículo respeitado internacionalmente na área de espectrometria de massas, que defende que a probabilidade de a vida ter surgido na Terra é um número que excede toda a probabilidade do universo.

Mesmo no âmbito das discussões com base em critérios científicos, as chances de algum diálogo entre darwinistas e antievolucionistas são praticamente nulas, pois muitos de ambos os lados já partiram há tempos para provocações e xingamentos. De minha parte, penso que sempre se deve aplicar o preceito do filósofo britânico John Stuart Mill (1806-1873) destacado, em um contexto completamente diferente do tema presente, pelo jornalista Hélio Schwartsman em sua coluna na Folha de S. Paulo, na terça-feira (11.mar):

(…) mesmo os piores preconceitos precisam ter sua circulação assegurada, a fim de que as ideias verdadeiras sejam submetidas à contestação e triunfem. Se não for assim, elas próprias serão percebidas como simples preconceitos, sem base racional.

Seja como for, vale a pena assistir Cosmos.

PS — Acabo de ser informado (14h30) que a emissora afiliada da Fox em Oklahoma teria censurado, substituindo por uma inserção de publicidade própria, um trecho de aproximadamente 15 segundos no primeiro episódio. O trecho, que seria justamente aquele, acima mencionado, dos últimos segundos do calendário em que aparece a espécie humana, teria a seguinte fala de Nei deGrasse Tyson:

Somos recém-chegados ao Cosmos. Nossa própria história só começa na última noite do ano cósmico. Três milhões e meio de anos atrás, nossos ancestrais, o seu e o meu, deixaram esses rastros. Nós nos levantamos e nos separaramos deles. Uma vez que estávamos sobre dois pés, nossos olhos já não estavam mais fixados no chão. Agora, éramos livres para olhar para cima e para admirar.

A informação é do site de notícias The Raw Story com base no vídeo abaixo postado no YouTube.

Co-autor de pesquisa sob suspeita de fraude diz não saber que células usou

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Hoje surgiu mais uma notícia para abalar a credibilidade do recente anúncio de uma nova técnica para obter células-tronco e, com elas, facilitar o desenvolvimento de tratamentos de diversas doenças. Teruhiko Wakayama, da Universidade Yamanashi, no Japão, afirmou não ter certeza da procedência das células por ele usadas em laboratório, em um trabalho relatado por ele e por outros cientistas em dois artigos publicados em janeiro na revista científica britânica Nature.

“Não existe mais credibilidade quando existem tais erros cruciais”, disse Wakayama por e-mail ao jornal The Wall Street Journal. O pesquisador não entrou em detalhes sobre os erros sobre os quais comentou, segundo o repórter Alexander Martin. No entanto, segundo o jornalista, o cientista afirmou “Eu mesmo não sei o que usei em meus experimentos”, ao se referir às células que recebera da coordenadora da pesquisa, a bióloga Haruko Obokata, do Laboratório de Reprogramação Celular, vinculado ao Instituto Riken.

Retratação

A reportagem do WSJ informou também que Wakayama declarou ter pedido a Obokata a retratação pela publicação dos dois artigos científicos.

No dia 17 de fevereiro, a Nature divulgou em seu site que já teria iniciado uma averiguação sobre acusações de adulteração de imagens em um dos dois trabalhos desenvolvidos no Japão, ambos publicados na edição de 30 de janeiro, que anunciaram a reversão de células de diversos tecidos de camundongos para o estágio embrionário por meio de nada mais que um banho ácido.

Junto com essa notícia estava a promessa de dispensar os riscos e as complicações de técnicas que envolvem manipulação genética de vírus para desenvolver tratamentos de diferentes tipos de câncer e doenças como as de Parkinson, Alzheimer e outras. Restaria apenas reproduzir em humanos os resultados obtidos com cobaias.

Resultados não reproduzidos

Ao anunciar essa apuração, a Nature afirmou que já havia sido iniciada na semana anterior uma investigação sobre a pesquisa pelo próprio Instituto Riken. E ressaltou também o fato de que especialistas de outras instituições afirmaram não terem conseguido reproduzir em seus próprios laboratórios os resultados apontados nessa pesquisa.

Mais informações sobre esse assunto estão neste mesmo blog no post “A suspeita de fraude e o ‘sensacionalismo’ em revistas científicas“, de 28 de fevereiro.

Mais uma tentativa de negar a importância do carbono no aquecimento global

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Global-Warming

Um relatório divulgado na semana passada acusou cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática) de esconderem o que seria uma boa notícia: o clima global seria menos sensível ao aumento da concentração atmosférica de CO2 (dióxido de carbono) do que afirmam há décadas esses pesquisadores. Em outras palavras, a ciência estaria escondendo da humanidade a informação de que podemos ficar menos preocupados com a emissão de gás carbônico pela queima de carvão e de outros combustíveis, pois esse composto não seria o vilão doaquecimento global.

O relatório mal havia sido repercutido por alguns sites de notícias e blogs estrangeiros quando surgiram as primeiras constatações de que ele não passava de mais uma tentativa de desmoralização de todo o esforço iniciado há décadas para reduzir as emissões de carbono na atmosfera por meio da queima de carvão e outros combustíveis fósseis pelas indústrias, por usinas termelétrica e por veículos.

Pesquisadores ‘independentes’

Ainda era Quarta-Feira de Cinzas (5.mar) quando um leitor deste blog me enviou o link do press-release “Novo relatório: o clima é menos sensível ao CO2 do que sugerem os modelos“, distribuído pela Fundação da Política do Aquecimento Global (GWPF) , sediada em Londres, no Reino Unido. Esse material para a imprensa fornecia links para duas versões — um artigo completo e um sumário — do relatório “Um assunto sensível: como o IPCC enterrou boas notícias sobre o aquecimento global”. Os autores do estudo são o pesquisador britânico Nic Lewis, apontado no release como “cientista do clima independente”, e o jornalista científico dinamarquês Marcel Crok.

Segundo esse relatório, o IPCC teria deixado de divulgar dados que projetariam o aumento da temperatura média global terrestre até o final deste século oscilando entre 1,3°C e 1,4°C, o que estaria cerca de 2°C abaixo da média de 3,2°C divulgada pelo painel intergovernamental, como mostra o gráfico a seguir.

Adaptação de gráfico elaborado por Nic Lewis e Marcel Crock, que afirmam que a variação climática é menos sensível ao carbono do que os modelos do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática). A faixa azulada se refere à projeção de aumento de 1,3°C e 1,4°C na temperatura média global até o final do século, que, segundo os autores, se basearia em dados deliberadamente ocultados pelo IPCC, que aponta a variação média de 3,2°C referente à área alaranjada do gráfico

Adaptação de gráfico de Nic Lewis e Marcel Crock em “A Sensitive Matter: How The IPCC Buried Evidence Showing Good News About Global Warming”

Militantes anti-IPCC

Minhas primeiras buscas de mais informações sobre o assunto me deixaram com uma boa dose des desconfiança: a GWPF é uma fundação com um esforço concentrado em contestar a importância das emissões de carbono e combustíveis fósseis para o aquecimento global e os trabalhos anteriores de Lewis me pareceram ser um trabalho de militância negacionista do IPCC.

Deixei o assunto para o fim de semana, quando percebi que Greg Laden, bioantropólogo e divulgador científico dos Estados Unidos já havia posto os pingos nos is, desqualificando o relatório de Lewis e Crock com o post “Um novo relatório falso sobre mudança do clima“.

Laden mostrou que os dois autores haviam, na verdade, limitado sua tese a dados que o próprio IPCC havia registrado, mas o afirmaram desconsiderando toda uma série de outras evidências que necessariamente puxam para cima a faixa de variação média da temperatura projetada para o final do século.

Interesses não científicos

Os estudos do IPCC não são textos sagrados que não podem ser contestados. Existem, aliás, pesquisadores sérios que têm ressaltado a possibilidade de o aumento da temperatura média global desde o século 19 estar relacionada a fenômenos independentes da ação humana, como a variação da atividade solar. Mas é outra coisa querer negar a importância da redução da emissão dos chamados gases-estufa, que tem proporcionado, entre outros resultados, esforços para tornar a humanidade menos dependente do consumo crescente de energia, seja por meio de novas tecnologias, seja por meio da própria mudança de atitude por parte das pessoas e das instituições.

Curiosamente, essa corrente negacionista do IPCC e autodenominada “independente”, no final das contas, é em grande parte bancada por entidades ligadas ao setor energético, como é o caso da GWPF.

Para os que quiserem saber mais sobre o assunto, copio a seguir alguns links. Os quatro primeiros são sugeridos por Greg Laden:

Criacionistas manipulam crítica a ‘escravidão de pós-graduandos’ e a revistas científicas

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Página do blog Evolution News and Views, publicado pela entidade criacionista Instituto Discovery, dos Estados Unidos

Eu já previa os tipos de oportunismos que poderiam pegar carona nas pesadas declarações do geneticista Sydney Brenner contra instituições acadêmicas e publicações científicas, quando as repercuti em meu post de anteontem (quarta-feira, 5/mar). Mas confesso que fui surpreendido depois, ao constatar que na véspera de minha postagem o blog criacionista  Evolution News and Views já havia se apropriado das críticas desse cientista para advogar teses contrárias à teoria da evolução de Charles Darwin.

Brenner, de 87 anos, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2002, e um dos maiores nomes do mundo na biologia molecular, afirmou em entrevista publicada em 24 de fevereiro que as novas ideias na ciência são obstruídas por burocratas do financiamento de pesquisas, por professores que impedem seus alunos de pós-graduação de seguirem suas próprias propostas de investigação e por revistas de artigos científicos que empregam editores que, segundo ele, não passam de cientistas fracassados.

‘Incentivos preversos’

Mantido pelo Instituto Discovery, sediado em Seattle, nos Estados Unidos, o blog começa essa postagem manipuladora com o seguinte parágrafo, que é um primor de oportunismo.

No mundo atual da Big Science, a resistência a novas idéias sobre a evolução está enraizada em parte na ideologia, em parte em preocupações sobre o status pessoal e em parte na natureza da indústria da pesquisa contemporânea, com seus incentivos perversos para aderir à ortodoxia. E essa indústria é objeto de observações sinceras do geneticista Sydney Brenner,  um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2002, na revista The King’s Review, da Universidade de Cambridge. Ele não estava falando sobre a evolução, mas estamos livres para aplicar o que ele diz conforme for apropriado.

Aspas e enxertos

Poupo os leitores da apresentação de mais detalhes sobre esse post horroroso. Não por ele ser de criacionistas, pois respeito convicções diferentes das minhas (e tenho amigos que são cientistas sérios e rejeitam a teoria da evolução de Darwin). Mas pela manipulação excessiva, com aspas — que servem mais para apontar do que para citar — em torno de palavras ditas por Brenner e enxertadas em asserções que advogam o chamado Design Inteligente, para o qual na natureza não ocorre a seleção natural das espécies, mas um processo guiado por um planejamento prévio.

Talvez o mais ridículo de toda essa manipulação tenha sido a escolha de tags para um post sobre a entrevista de Brenner: “Evolução”, “Design Inteligente… Por causa disso, também tenho de usá-las aqui

No final das contas, e isso é o que mais importa, o oportunismo desse blog que nem oferece espaço para comentários em seus posts é mais uma lição para grande parte dos acadêmicos, que preferem silenciar sobre declarações como as de Brenner,. E, por isso, acabam deixando terreno livre para apropriações indevidas.

Bom final de semana!

Nasa fabrica notícias de asteroides para conseguir dinheiro

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Nasa-Asteroid

Nas últimas semanas, parece que se tornou maior o risco de a Terra ser atingida por um asteroide de tamanho suficiente para provocar uma catástrofe como aquela que há cerca de 65 milhões de anos provocou a extinção dos dinossauros. Na verdade, não houve aumento da presença dessas enormes rochas espaciais. O que houve foi o aumento de notícias sobre esses objetos. E esse aumento foi promovido na imprensa internacional pela Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos. O motivo é dinheiro.

Em fevereiro, dois asteroides estiveram nas imediações de nosso planeta, um deles com cerca de 100 metros de comprimento, tamanho insuficiente para ser considerado ameaçador. Ontem (quarta-feira, 5/mar) outro, ainda menor, de 30 metros, virou notícia. E hoje três especialistas da agência espacial estarão disponíveis a partir das 16h00 (horário de Brasília) para responder pela internet perguntas do público sobre o que são essas rochas que viajam pelo espaço, qual é a ameaça que elas trazem e o que pode ser feito para impedir que elas se colidam com a Terra. E o que pode ser feito cabe à Nasa, que está empenhada em conseguir com o governo mais recursos para seus programas bilionários.

Estratégia de comunicação

A proposta de orçamento para 2015 apresentada pela Nasa para o governo é US$ 17,5 bilhões, quantia 0,5% menor que os US$ 17,6 bilhões de 2014. A agência solicitou especificamente US$ 133 milhões para sua Missão de Redirecionamento de Asteroides. No entanto, a Casa Branca sabe que essa iniciativa implica despesas diluídas em outros programas, e com aumentos para os anos seguintes. É o caso do Ciência Planetária, que prevê US$ 1,280 bilhão no ano que vem com acréscimos anuais que chegam a US$ 1,374 bilhão em 2019, assim como o programa Desenvolvimento de Sistemas de Exploração, orçado em US$ 2,784 bilhões para 2015, chegando a US$ 3,107 bilhões em 2019.

A estratégia de comunicação da Nasa para sensibilizar os cidadãos dos Estados Unidos não se restringe à missão de prevenção de asteroides. A preocupação da agência se estende a todo o seu orçamento, como mostra o vídeo a seguir.

A Missão de Redirecionamento de Asteroides se baseia na mesma estratégia mostrada no filme Armageddon, de 1998, no qual uma equipe comandada por Bruce Willis coloca uma bomba atômica em um cometa que rumava em direção a Terra para explodi-lo em pedaços menores que se desviariam de nosso planeta ou se desintegrariam ao penetrar na atmosfera. (Para mais detalhes, recomendo a leitura de “Bombas atômicas contra asteroides“, do blog Mensageiro Sideral, de Salvador Nogueira.)

Passagens frequentes

As passagens de asteroides pelas imediações da Terra não são acontecimentos extraordinários. “Esses eventos ocorrem frequentemente. E o acompanhamento deles se tornou mais preciso nos últimos anos com o desenvolvimento da tecnologia”, afirmou a este blog o astrônomo Othon Winter, professor do campus de Guaratinguetá da Unesp.

Também chamado pela sigla NEO (near Earth object, que em inglês significa objeto próximo da Terra), um asteroide ou cometa é considerado potencialmente perigoso pela Nasa se tem mais de 150 metros de diâmetro ou de comprimento. Isso significa que, para sensibilizar a opinião pública para a necessidade de investir em seu programa de prevenção de NEOs, os exemplos usados na divulgação recentemente realizada pela agência espacial foi algo semelhante a noticiar a ação de ladrões de galinhas para justificar a compra de armamentos pesados para a polícia.

Sensacionalismo

Para complicar, a Nasa tem um histórico recente de sensacionalismo na divulgação de notícias de seus feitos para dar a eles maior impacto na opinião puública. Em 1996 a agência exagerou as expectativas de alguns de seus cientistas sobre a possibilidade de haver vestígios de supostas bactérias em um meteorito marciano que caíra na Antártida há cerca de 13 mil anos. Em dezembro do ano seguinte, um estudo publicado na revista Nature desmentiu a notícia. Em 2000, foi a vez de outro desmentido, o da descoberta de água em Marte. Nas duas ocasiões a agência estava em campanha para conseguir mais recursos do governo.

Apesar de todos esses exageros, é preciso investir os recursos que forem realmente necessários para garantir uma iniciativa como a Missão de Redirecionamento de Asteroides, seja ela realizada só pelos Estados Unidos ou em parceria com outros países.  Até o final de fevereiro deste ano, foram identificados 10.759 NEOs pela Nasa. Desse total, 1.456 foram classificados como potencialmente perigosos, sendo que 866 deles com mais de um quilômetro de diâmetro ou comprimento.

Enfim, o risco de um cometa ou um asteroide se chocar contra nosso planeta e acabar conosco não está maior do que já estava. Mas não é nada razoável não temosr um aparato de defesa para ameaças contra toda a população terrestre. Difícil vai ser convencer muita gente de não investir a parte que cabe a esse programa em saúde, educação ou assistência social.

Amazônia desmatada já é o triplo da área de SP

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Devastação florestal acumulada na região dobrou entre 1988 e 2013, alcançando uma extensão equivalente também à metade do estado do Amazonas e ao triplo do Reino Unido.

Na semana passada, o Ministério do Meio Ambiente anunciou que os desmatamentos na Amazônia brasileira de agosto de 2013 e janeiro de 2014 caíram 19% em relação ao mesmo período de 2012 a 2013. Baseada em dados do sistema Deter (Desmatamento em Tempo Real), que são obtidos por satélites para apoiar ações de fiscalização e controle de degradações de diversos tipos, essa boa notícia não vale para Mato Grosso, onde a devastação aumentou, como bem destacou o jornalista Marcelo Leite em seu comentário “Mato curto e grosso“, na edição de domingo da Folha de S. Paulo.

Mas outra má notícia sobre a Amazônia é a da extensão de seu desmatamento acumulado, que passou de 377,6 mil km2 em 1988 para 759,2 mil km2 em 2013. Essa superfície corresponde aproximadamente à metade do estado do Amazonas (1,57 milhão de quilômetros quadrados) e ao triplo da área do estado de São Paulo (248,2 mil km2), que é pouco maior que a do Reino Unido (243,1 mil km2).

Divulgação seletiva

Esses dados de desmatamentos acumulados não têm sido anunciados pelo governo, mas podem ser obtidos do sistema Prodes (Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite). Realizado sistematicamente desde 1988 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), esse sistema também emprega imagens de satélites, mas detecta apenas desflorestamentos do tipo “corte raso”, e não de devastações de diversos tipos, como as registradas pelo Deter.

Apesar de sua magnitude, o desmatamento bruto acumulado da Amazônia não tem sido divulgado pelo governo, a não ser em séries anuais que começam em 1988, mas sem mostrar sua situação naquele ano. O dado de 377,6 mil km2 está no relatório do Prodes de 1990-1991.

Tempos agitados

Em 1988 foram concluídos os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, iniciados no ano anterior. A devastação da Amazônia se intensificou nesse período, pois estavam sendo construídos princípios constitucionais para fortalecer a legislação ambiental, inclusive com previsão de sanções penais e ações de responsabilização civil para danos ao meio ambiente. Naqueles anos, cosmonautas soviéticos a bordo da estação espacial Mir ficaram impressionados com as grandes queimadas amazônicas que eram visíveis para eles a olhos nus. Muitas delas ocorreram em áreas agrícolas, mas o próprio Inpe reconheceu que 40% da extensão atingida por esses incêndios era coberta por florestas.

Acusações de omissão em relação à Amazônia, feitas por governantes de outros países e por entidades internacionais, puseram o governo brasileiro na defensiva. Os estudos sobre os desmatamentos da Amazônia até 1988 foram feitos em 1989, último ano da gestão do presidente José Sarney (PMDB). Foi um período muito complicado e tenso dessa linha de pesquisa no Brasil. Mas isso será assunto para outro artigo.

A suspeita de fraude e o ‘sensacionalismo’ em revistas científicas

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Já foi o tempo em que se podia dizer que os exageros na divulgação de novidades da ciência eram sempre provocados pela imprensa. A própria comunidade científica passou a ser geradora de sensacionalismos desde o final do século 20, quando algumas de suas publicações, os chamados periódicos, começaram a ser menos exigentes em relação à isenção e ao caráter crítico, não de seus artigos científicos, mas de suas reportagens e outros textos explicativos, que passaram a ser mais atrativos para a avidez da imprensa por notícias de impacto, especialmente por boas notícias para a saúde humana. Essa tendência foi um dos ingredientes da repercussão internacional, no final de janeiro, da pesquisa realizada no Japão que propunha uma técnica promissora para terapias com células-tronco e voltou a ser anunciada  nesta semana por estar sob investigação por suspeita de fraude.

Apesar do costume de se retratarem publicamente em relação aos seus artigos envolvidos em casos de fraudes, plágios e outros tipos de má-conduta científica — como mostra o monitoramento realizado pelo blog Retraction Watch —, os chamados periódicos praticamente nunca adotam o mesmo procedimento sobre o estardalhaço provocado por seus materiais elaborados para divulgação em paralelo para o público não especializado, inclusive e especialmente para a imprensa.

Acusações e investigações

Na segunda-feira, dia 17, a prestigiada revista científica britânica Nature divulgou em seu site que já teria iniciado uma averiguação sobre acusações de adulteração de imagens em um dos dois trabalhos desenvolvidos no Japão, ambos publicados na edição de 30 de janeiro, que anunciaram a reversão de células de diversos tecidos de camundongos para o estágio embrionário por meio de nada mais que um banho ácido. Junto com essa notícia estava a promessa de dispensar os riscos e as complicações de técnicas que envolvem manipulação genética de vírus para desenvolver tratamentos de diferentes tipos de câncer e doenças como as de Parkinson, Alzheimer e outras. Restaria apenas reproduzir em humanos os resultados obtidos com cobaias.

Ao anunciar essa apuração, a Nature afirmou que já havia sido iniciada na semana anterior uma investigação sobre a pesquisa pelo próprio Instituto Riken, ao qual pertence o Laboratório de Reprogramação Celular, onde trabalha a autora principal dos dois estudos, a bióloga Haruko Obokata, de 30 anos de idade. E ressaltou também o fato de que especialistas de outras instituições afirmaram não terem conseguido reproduzir em seus próprios laboratórios os resultados apontados nessa pesquisa.

Material para jornalistas

Na edição impressa de 30 de janeiro, que já estava disponível na versão online desde o dia anterior, foram publicados também, além dos dois trabalhos comandados por Obokata, outros dois textos, os quais serviram como subsídios didáticos para toda a divulgação realizada pela imprensa internacional: a reportagem: “Banho ácido oferece caminho fácil para células-tronco“, e o artigo opinativo “Potência desencadeada“, de autoria de Austin Smith, pesquisador do Instituto de Células-Tronco da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
Textos como esses passaram a ser cada vez mais importantes para os jornalistas poderem entender melhor o que é relatado pelos cientistas nos chamados papers, que são os artigos científicos. Também em linguagem mais didática ou menos técnica que a dos artigos científicos, os artigos opinativos servem geralmente como subsídio para dar a posição isenta e independente de um especialista não envolvido com a pesquisa publicada.

Além do título e das primeiras frases, são poucos os trechos mais otimistas e pouco relativizadores dessa reportagem publicada na própria Nature em 30 de janeiro. Por outro lado, não faltaram no artigo opinativo de Austin Smith afirmações muito otimistas em relação à eficácia da técnica proposta nos dois estudos.

Divulgação otimista

É geralmente das próprias revistas científicas a responsabilidade final pelos títulos e subtítulos de suas reportagens e dos artigos opinativos sobre seus papers. No entanto, Smith certamente não teria o que reclamar do título “Potência desencadeada”. Para um especialista que, em princípio, não tem envolvimento com os dois trabalhos por ele analisados, seu texto é repleto de afirmações assertivas demais e sem as devidas ressalvas para a necessidade de os resultados serem reproduzidos em outros laboratórios, como mostra o trecho a seguir.

A descoberta inesperada de que um estímulo físico pode desencadear a reversão da diferenciação celular para um estado de potência irrestrita abre a possibilidade de obtenção de células-tronco específicas para tratamento de doenças por meio de um procedimento simples, sem manipulação genética. (…) No entanto, eles [Obokata e colegas] estabeleceram um novo princípio: um estímulo físico pode ser suficiente para desmembrar os circuitos de controle de genes e criar um estado ‘plástico’ do qual pode rapidamente ser desenvolvido um nível de potência antes inatingível.

Não se trata aqui de apontar desonestidade por parte de Smith. É possível até que ele realmente tenha acreditado na efetividade das alegações de Haruko Obokata e seus colegas. Não cabe, portanto, nenhuma exigência de explicação por parte dele, principalmente agora, por não haver ainda qualquer resultado das apurações em curso. Mas cabe certamente enfatizar que as coisas seriam muito melhores se a Nature e todos os periódicos tivessem e explicitassem seus critérios editoriais para publicar reportagens e opiniões de especialistas.

Lição esquecida

A pergunta que não quer calar, porém, é como foi possível o caso Okobata ter acontecido após o lamentável episódio que envolveu em 2004 outra consagrada revista, a Science, editada pela Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS). Naquele ano aconteceu a divulgação, também por meio de dois artigos nesse periódico, da falsa clonagem de células-tronco embrionárias humanas pelo sul-coreano Hwang Woo-suk, então professor da Universidade Nacional de Seul.

No âmbito da Science, o desfecho desse caso se deu com a “Retratação editorial”, assinada por Donald Kennedy, editor-chefe da revista, que fez uma breve síntese do relatório da auditoria da universidade, informou que os dois artigos de Hwang deveriam ser considerados inválidos e pediu desculpas pelo tempo que os revisores científicos “e outros” perderam avaliando os dois papers, assim como pelo tempo e pelos recursos que a comunidade científica gastou tentando reproduzir os resultados divulgados pela revista. (A revista mantém uma página com essa retratação e outros documentos em seqüência cronológica.)

Efeitos colaterais

Mas não houve nenhuma menção sobre o governo da Coréia do Sul, o qual, acreditando não só nos dois artigos publicados pela Science, mas principalmente na sua repercussão internacional turbinada pela estratégia midiática da revista, ter investido US$ 65 milhões no laboratório do pesquisador e reservado outros US$ 15 milhões do Ministério da Saúde e do Bem-Estar Social para a criação do Centro Mundial de Células-Tronco.

Uma coisa, e perfeitamente aceitável, é os periódicos entenderem que seus papers são mais importantes que suas reportagens e seus artigos opinativos. Outra coisa é uma revista científica agir como se esses dois gêneros textuais não passassem de meros instrumentos para manipular a imprensa e a opinião pública. É o que fazem parecer, no final das contas, algumas atitudes editoriais.

Fora, imprensa!

E, por falar em Hwang e na imprensa, vale lembrar de um dos episódios desse caso no final de 2005, quando o assunto estava fervendo, que foi registrado pelo jornalista Marcelo Leite em seu comentário “Células de decepção em massa“, na Folha de S. Paulo:

Nos mesmos dias em que pipocava o escândalo, um grupo de bambambãs da biotecnologia publicou uma carta no sítio http://www.sciencexpress.org defendendo, com palavras escolhidas a dedo, o afastamento da imprensa leiga. ‘Acusações feitas pela imprensa sobre a validade dos experimentos publicados na Coréia do Sul são, em nossa opinião, mais bem-resolvidos na comunidade científica’, escreveram os oito autores da correspondência. Entre eles estão Ian Wilmut e Alan Colman, dois dos “pais” da ovelha Dolly. (…) Na hora do oba-oba, a imprensa veio bem a calhar, pois ajudou a aprovar verbas para pesquisa. Na hora em que essa mesma imprensa lanceta o tumor, pedem que se afaste para que a comunidade científica enfim cumpra a sua obrigação, tendo já falhado uma vez.

Curiosamente, Austin Smith, autor do artigo “Potência desencadeada”, de 30 de janeiro deste ano, foi também um dos cientistas que assinaram essa carta que demonstrou uma forma realmente desastrosa de lidar com a opinião pública (“Células-tronco embriônicas humanas“, ScienceExpress, 13/12/2005).

PS — Leia também neste blog o post “Co-autor de pesquisa sob suspeita de fraude diz não saber que células usou” (10.3.2014)

Ceticismo com aspas e sem aspas

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Gostei das aspas aplicadas pelo jornalista Marcelo Leite à palavra “céticos”, hoje, em sua coluna no caderno dominical “Mais!”, na Folha de S. Paulo (“Climagate“, pág. C-5), ao se referir aos opositores da tese da origem antropogênica do aquecimento global, ou seja, de que as ações humanas estão intensificando o efeito estufa, pondo em risco o equilíbrio climático do planeta. Ele abre seu texto com o seguinte parágrafo:

A uma semana da conferência sobre mudança do clima em Copenhague, os “céticos” do aquecimento global marcaram um tento. Conseguiram meter uma cunha na credibilidade dos que defendem que ele é uma realidade e que a ação do homem (“antropogênica”) é decisiva para agravar o efeito estufa.

O colunista se refere ao chamado “climagate”, o caso dos hackers que puseram na internet milhares de mensagens e outros documentos de um servidor da Unidade de Pesquisa do Clima, da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.

Segundo o jornalista, esse material não comprova nenhuma conspiração dos adeptos do aquecimento global para distorcer dados, mas mostra alguns golpes baixos, como dificultar o caminho de seus opositores — que são os tais “céticos” — para publicar estudos em revistas científicas de prestígio. O assunto rendeu ainda ontem (sábado, 28/11), uma interessante reportagem no New York Times, “Hacked E-Mail Data Prompts Calls for Changes in Climate Research“.

Deixemos para outro momento o assunto do aquecimento global. Meu foco nesta postagem está no uso do termo “cético” não só nessa questão, mas também em outros temas no âmbito da divulgação científica, como o confronto entre evolucionistas e criacionistas.

Na imprensa nacional e internacional, a palavra “cético” tem sido usada com muita freqüência com o significado de descrente em relação a uma idéia ou tese específica. Por exemplo, têm sido chamados de “céticos do darwinismo” aqueles que são partidários do criacionismo, da mesma forma como os evolucionistas são chamados de “céticos do criacionismo”. A expressão ainda não adquiriu o significado de opositor, mas não está longe disso.

Nos dicionários

Antes de mais nada, vejamos o que consta em alguns dicionários. No Aurélio, por exemplo, o verbete “cético” remete a “céptico”, que, por sua vez, dispõe o seguinte:

[Do gr. skeptikós, pelo lat. scepticu.] Adj. 1. Que duvida de tudo; descrente. 2.Filos. Pertencente ou relativo ao cepticismo. 3. Filos. Diz-se do partidário do cepticismo. • S.m. 4. Indivíduo céptico. 5. Filos. Partidário do cepticismo.

Em outro léxico, o Houaiss, temos para “cético”:

adj.s.m. (1702 cf. Num Voc) 1. diz-se de ou o partidário do ceticismo. 2. p.ext. que ou aquele que não confia, duvida; descrente. 3. pertencente ou relativo ao ceticismo <argumento, comportamento c.> • ETIM gr. skeptikós,ê,ón ‘que observa, que reflete’, do v.gr. sképtomai ‘olhar atentamente, observar, examinar, meditar, refletir’, prov. por infl. do fr. sceptique (1546), subst. pl. ‘partidários da doutrina de Pirro’, (1746) aquele que duvida do que não é comprovado de maneira incontestável’; Quintiliano (35-96 d.C.) usa em lat. a palavra sceptìci,órum (‘os cépticos’), como seita de filósofos ditos em gr. hoi skeptikoi, isto é, ‘os que fazem profissão de observar, de nada afirmar’; f.hist. 1702 scepticos, 1720 scêptico • SIN/VAR céptico; ver tb. sinonímia de herege • ANT crente; ver antonímia de herege • HOM séptico(adj.)

Com base no segundo sentido apontado pelo Houaiss, por extensão não está errado esse uso que aponto para o termo “cético”. No entanto, entendo que a cobertura jornalística de ciência deveria ser mais rigorosa com o uso do vocabulário no que diz respeito à possibilidade de ambigüidades no plano do conhecimento científico.

Não se trata de exigir que seja empregada essa qualificação somente para os adeptos das diferentes correntes do ceticismo filosófico, que está esboçado no verbete do Houaiss. Seria um despropósito estabelecer que o esse termo deve ser usado estritamente em relação à filosofia (assunto que também merece outra conversa). Mas seria muito adequado usá-lo somente para aqueles que, mesmo sem nenhuma abordagem de ordem filosófica, se mostram empenhados efetivamente a fazer o papel de “advogados do diabo”.

Uso indiscriminado

Por exemplo, a discussão entre criacionistas e evolucionistas. Exceto pelo sentido específico de não crer em uma idéia ou doutrina — no caso, o darwinismo —, os primeiros não têm nada de céticos, uma vez que se aferram dogmaticamente ao postulado da existência de uma potência exterior divina criadora de tudo o que existe.

Por outro lado, não existe nada de ceticismo na atitude de grande parte dos defensores do evolucionismo que afirmam que essa é uma teoria comprovada cientificamente como verdadeira. Ora, não é preciso ser adepto do pensamento do filósofo da ciência austríaco Karl Popper (1902-1994) para entender que uma teoria científica nunca é provada verdadeira: se ela nunca foi refutada, o que se pode dizer é que ela foi corroborada por sucessivos experimentos. [Na prática, como mostrou posteriormente o norte-americano Thomas Kuhn (1922-1996), às vezes se alegam “boas razões” para deixar de lado algumas refutações. Mas já discutimos isso neste blog (ver “A torre de marfim e o risco de macaquear o evolucionismo“, de 15/12/2008, e “O dedo na ferida da razão“, de 12/08/2006), e certamente voltaremos a fazê-lo.]

Não vejo problema, por exemplo, quando são qualificados como céticos aqueles que, mesmo sem abordagens filosóficas, submetem a prova, por princípio, alegações feitas com pretensões de conhecimento. Há alguns anos, escrevi uma reportagem sobre esse tipo de militância cética (“Os inquisidores da razão“, Galileu, nº 116, março de 2001). Por outro lado, não têm nada a ver com ceticismo aqueles, inclusive cientistas, que defendem posições dogmáticas dentro da ciência, ainda que para contestar misticismos e charlatanismos.

Independentemente de tudo isso, há também o aspecto de que o uso indiscriminado do termo “cético” nesses contextos demonstra que a imprensa tem ainda muito a aprender com o ceticismo de Pirro de Élis (c. 360-275 a.C.), imortalizado por Sexto Empírico (c. 160-210 d.C.) em sua obra Hipotiposes Pirrônicas. Para não alongar demais no assunto, mostro do que se trata retomando mais uma vez neste blog as sintéticas considerações de Plínio Junqueira Smith a seguir.

A terapia pirrônica, tal como no-la descreve Sexto, faz-se por meio da oposição de discursos e razões e supõe que os dogmáticos sofrem de precipitação e arrogância, que se manifestariam na adesão apressada a um discurso argumentativo e a uma tese em detrimento da tese e discurso argumentativo opostos. O problema do dogmático não consiste na adoção desta ou daquela tese filosófica, mas numa atitude que se caracteriza pela precipitação e pela arrogância. É essa atitude, segundo Sexto, que deve ser tratada. Além disso, a idéia pirrônica é que essa atitude dogmática é fonte de perturbação e de uma vida pior.
(Plínio Junqueira Smith, “Ceticismo dogmático e dogmatismo sem dogmas”. Integração. nº 45, abr./mai./jun. 2006, pp. 181-182.)

Seja como for, com aspas ou sem apas, melhor mesmo é qualificar aqueles que se dizem descrentes de uma determinada tese, idéia ou doutrina como discordantes ou opositores.

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Written by Mauricio Tuffani

domingo, 29/11/2009 at 18:38

Jornalismo científico e mudanças conjunturais da comunicação

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Trabalho elaborado para o I Simpósio Nacional de Jornalismo Científico,
Universidade Estadual do Norte Fluminense, Campos de Goytacazes, RJ,
26 de novembro de 2009.

Maurício Tuffani
(Assessoria de Comunicação e Imprensa, UNESP – Univ Estadual Paulista)

Resumo: A questão crucial do jornalismo na área de C&T acabou por se
tornar a mesma do jornalismo em geral neste neste início de milênio: o
essencial não é saber se os jornais vão desaparecer, nem se os
profissionais de imprensa serão todos terceirizados, mas se a função do
jornalista deixará de ser a produção da informação para se restringir
ao mero gerenciamento dela.

1. O modelo deficitário da divulgação científica

Em seu livro Conhecimento Público, de 1968, o físico britânico John Ziman (1925-2005) destacou que a ciência moderna teve início pouco depois do surgimento da imprensa.1 Não a imprensa no sentido mais estrito e hoje predominante do jornalismo, mas no sentido da impressão, da invenção gutemberguiana que no século XV rompeu definitivamente o círculo fechado em torno do conhecimento escrito. A partir desse novo e revolucionário recurso, a recém-nascida ciência moderna não poderia ter deixado de se estruturar em função dele. Muito mais do que ser registrado, o conhecimento científico tinha de ser comunicado. Centenas de anos depois, já no final do século XIX, os cientistas já haviam consolidado entre si a comunicação por meio de publicações destinadas a especialistas, ao passo que o jornalismo já se tornara uma atividade empresarial voltada para o público em geral.

Em meio aos profissionais das diversas especialidades jornalísticas, os repórteres de ciência consolidam sua imagem, já no início do século XX, de tradutores da linguagem especializada dos cientistas, cada vez mais inacessível para os leigos. “Verdadeiros descendentes de Prometeu, os escritores de ciência pegam o fogo do Olimpo científico — os laboratórios e as universidades — e de lá o trazem para baixo, para o povo”, disse William Laurance, jornalista do The New York Times.2 Essa criativa metáfora ressalta no imaginário da sociedade não só a distância entre o discurso científico e a linguagem comum, mas também a posição dos cientistas como deuses, acima dos “mortais”.

Essa visão “prometéica” do jornalismo na área de ciência e tecnologia (C&T) passou a ser amplamente criticada por estudiosos da divulgação científica a partir dos anos 80. Rotulada como “modelo difusionista linear” ou “modelo do déficit”, essa concepção tem as seguintes características, como bem resumiu Yurij Castelfranchi:

  • a ciência é pensada (conscientemente ou não) como em certa medida autônoma em relação ao resto da sociedade, e “impermeável”;
  • o público é visto como massa homogênea e passiva de pessoas caracterizadas por déficits, falhas, buracos cognitivos e informativos que devem ser preenchidos por uma espécie de transmissão de tipo “inoculador”; e
  • o processo comunicativo é tratado como substancialmente unidirecional, linear, “top-down”: do complexo para o simples, de quem sabe para quem ignora, de quem produz conteúdos para quem é uma tabula rasa científica. A comunicação de C&T para o “público leigo” é, então, uma operação de simplificação em que, no caminho entre a ciência e a cabeça das pessoas, muita informação é sacrificada ou perdida, por causa da banalização operada pelo comunicador ou por uma parcial incompreensão devido às falhas culturais do receptor. 3

É consenso entre vários estudos que essa é uma concepção ultrapassada de divulgação da ciência, e para ela foram propostos modelos alternativos, como o contextual, o do conhecimento leigo e o democrático ou da participação pública.4 De um modo geral, no plano do ensino de graduação do jornalismo, prevalece o objetivo pedagógico de substituí-la por meio de uma prática jornalística ancorada na contextualização das atividades científicas, destacando seus problemas, seus métodos e seus aspectos históricos, sociológicos e filosóficos.

2. Animador de torcida ou cão de guarda?

A convicção de tantos de especialistas de que o modelo deficitário de divulgação científica é uma visão ultrapassada pouco ultrapassou, porém, o mundo acadêmico onde ela foi construída. Todos esses estudos parecem terem surtido pouquíssimos efeitos na prática do jornalismo na área de C&T, uma vez que nela persiste hegemonicamente esse modelo teoricamente superado. No entanto, vale ressaltar que menos freqüentes entre essas críticas acadêmicas são aquelas que ressaltam dois aspectos essenciais em relação ao jornalismo: o compromisso com a sociedade e a independência em relação às fontes. Castelfranchi, por exemplo, baseando-se em um dos mais recentes relatos sobre a situação da imprensa norte-americana em relação à sua credibilidade,5 destacou que a função do jornalista não é apenas entreter, informar e educar:

É também a de ser “um ‘cão de guarda da sociedade’ capaz de latir para denunciar práticas incorretas e abusos, para ‘catalisar’ um debate informado e são sobre questões éticas levantadas por práticas científicas ou por aplicações tecnológicas, para colocar nas pautas de debates públicos potenciais desencadeamentos suspeitos ou ameaçadores no sistema de C&T ou em suas ligações com o sistema político, o aparato militar ou o mercado.6

Desse modo, o papel passivo e de tabula rasa apontado como característica da sociedade no modelo do déficit da divulgação científica aplica-se também, em certa medida, a grande parte dos jornalistas que cobrem C&T, uma vez que seu papel mediador é também o de uma instância“deficitária” no fluxo vertical da informação. E isso se deve não só à omissão no plano da contextualização das notícias de ciência, mas também à falta de independência e de compromisso com a sociedade. Estes dois últimos aspectos são, no entanto, freqüentemente ressaltados por aqueles que atuam tanto no estudo da divulgação científica como na prática jornalística, como Martha San Juan França:

Enquanto repórteres de política e economia freqüentemente vão além dos releases oficiais para comprovar a veracidade das notícias, os colegas de ciência se contentam com a informação autorizada, os papers (relatórios científicos), entrevistas coletivas e revistas especializadas. Enquanto as notícias de outras áreas são normalmente objeto de crítica, a ciência e a tecnologia são poupadas ― até que ocorram acidentes trágicos. Se bons jornalistas são reconhecidos ― e temidos ― por suas análises críticas, no caso de ciência, a investigação e a crítica costumam passar longe.7

Herdeira direta dos ideais da Revolução Francesa e da modernidade, a função de cão de guarda (“watchdog) presente nos códigos de deontologia jornalística de diversos países não tem encontrado correspondência na maior parte da cobertura de C&T. Para muitos dos jornalistas que atuam na área, assim como para os que dirigem as redações, as reportagens de ciência precisam ser bonitas, agradáveis e principalmente instrutivas, ressaltou França. “É como se os assuntos de ciência, tecnologia, saúde e meio ambiente não envolvessem polêmicas.”8 Essa crítica mais aguda ao modelo deficitário foi apontada também pela jornalista Mônica Teixeira em termos muito taxativos, mas bem adequados para apontar uma tendência:

Não há contraditório na cobertura de ciência. Dispensamos o jornalismo sobre ciência de cumprir o mandamento que interdita a matéria feita a partir de uma única fonte porque entendemos que não há versões de verdade quando se trata de ciência. Compartilhamos e cultivamos, ao longo da modernidade, a crença de que a ciência não comporta versões, dado ser a ciência justamente o método mais perfeito desenvolvido pelo homem para a apreensão da verdade sobre tudo no mundo passível de ser tomado como objeto desse método. Não há contraditório na cobertura de ciência porque não há contraditório possível para a ciência. 9

Essa tendência do jornalismo científico foi duramente criticada no editorial “Cheerleader or watchdog?”, publicado em junho deste ano pela revista Nature.10 E foi devidamente identificada no Brasil em um estudo de grande envergadura realizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), vinculada à Universidade Federal de Minas Gerais, em parceria com a Agência Nacional de Direitos da Infância (Andi). A pesquisa se baseou nas matérias sobre ciência publicadas durante 2007 e 2008 por 62 jornais diários brasileiros, descartados os textos com menos de 500 caracteres. Nas 2.599 reportagens, colunas, artigos, editoriais e entrevistas selecionadas e analisadas – 1.394 matérias de 2007 e 1.205 de 2008 –, em cerca de 55% dos textos, apenas uma única fonte é explicitamente indicada no conteúdo da notícia (55,9% em 2007 e 54,4% em 2008). No entanto, mesmo nas matérias com mais de uma fonte mencionada, apenas 10,6% apresentaram opiniões divergentes. Entre as divergências apresentadas, 54,7% são de ordem técnica.11

3. Percepção pública da ciência

Apesar de a afirmação de que “não há contraditório na ciência” ser uma explanação intencionalmente caricatural, ela mostra uma imagem que corresponde em grande parte à percepção pública sobre a importância da pesquisa científica e tecnológica para a vida humana. É o que mostrou uma pesquisa de âmbito nacional realizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) em 2007. 12

Nesse levantamento, a comunidade acadêmica foi o grupo melhor avaliado em relação ao aspecto da credibilidade pública: apenas 2% dos entrevistados escolheram “cientistas que trabalham em universidades” como resposta à pergunta “Se você desejar receber informações sobre algum assunto importante para você e para a sociedade, quem te inspira menor confiança como fonte de informações?” 13

Essa mesma pesquisa destacou a importância dada pelos entrevistados à ciência, uma vez que 70% deles optaram pela resposta “concordo totalmente” e outros 21% por “concordo em parte” com a afirmação “As empresas privadas brasileiras devem investir mais na pesquisa científica e tecnológica”. Em relação à asserção “Os governos devem aumentar os recursos que destinam à pesquisa científica e tecnológica”, 68% das pessoas consultadas optaram por “concordo totalmente” e outras 21% por “concordo em parte”.

A essa demonstração de importância correspondeu, porém, uma expectativa geral de cautela em relação aos limites da ciência em relação aos problemas sociais, dado o resultado referente à afirmação “O desenvolvimento científico e tecnológico levará a uma diminuição das desigualdades sociais”: 26% concordaram “plenamente” e 32%, “em parte”.

Entendido como o conjunto de imagens, expectativas e valorações sobre a ciência e a tecnologia como instituição, instrumento de ação, fonte do saber e da verdade e grupo humano ou social com uma função específica,14 esse imaginário social da ciência apontado no Brasil pelo estudo do MCT corresponde aos resultados de diversas pesquisas de opinião pública estrangeiras. É o caso dos levantamentos bianuais da Fundação Nacional da Ciência,15 nos Estados Unidos, a européia Eurobarometer,16 assim como a pesquisa realizada em 2003 alguns países latinos, entre eles o Brasil.17

No plano da retórica política, esse imaginário tem sido muitas vezes exaltado em relação às expectativas da ciência. Foi o caso do discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao assumir seu cargo em 20 de janeiro deste ano, no qual ele prometeu:

Vamos restaurar a ciência ao seu lugar de direito e empregar as maravilhas da tecnologia para elevar a qualidade da saúde e reduzir seus custos. Vamos atrelar o sol, os ventos e o solo para proverem combustível para nossos carros e nossas fábricas. E vamos transformar nossas escolas, nossas faculdades e universidades para que façam frente às demandas de uma nova era. Tudo isso nós podemos fazer. E tudo isso nós vamos fazer. 18

4. Conseqüências no jornalismo diário

Os cientistas, no entanto, sabem que as conclusões de suas pesquisas não são definitivas. Sabem também que grande parte de seus trabalhos envolve diferenças de interpretações, e geralmente os bons papers fazem menção a trabalhos baseados em visões conflitantes com a do autor. Mas raros são os jornalistas que lidam com artigos publicados em periódicos científicos e têm condições de identificar outras fontes que possam oferecer versões diferentes e até mesmo divergentes da pesquisa que é o tema central de sua reportagem.

No jornalismo diário, as fontes primárias das reportagens de ciência de maior repercussão —aquelas que apresentam descobertas ou inovações dos países mais desenvolvidos — são geralmente as agências internacionais de notícias e serviços de divulgação de instituições de pesquisa. Na maior parte das vezes, esse material acaba sendo reproduzido ou copidescado, dando seqüência ao fluxo vertical do modelo deficitário da divulgação científica.

Poucas são as iniciativas editoriais de interferir nesse processo, inclusive por meio de entrevistas com outros pesquisadores da mesma área de especialidade do tema em pauta. No mais das vezes, essas outras fontes são procuradas para “repercutir” a notícia, quase sempre descartando de antemão a possibilidade de esses contatos colocarem em xeque os pressupostos que justificaram sua escolha como pauta.

No Brasil, a velocidade desse fluxo “top-down” é agravada na cobertura diária de ciência devido ao fato de o fuso das principais cidades do país ser duas horas adiantado em relação a uma das regiões mais importantes do mundo como origem das notícias de ciência. É a Costa Leste dos Estados Unidos, onde estão localizados o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), os NIH (Institutos Nacionais de Saúde) e importantes universidades, como Harvard, Yale, Princeton, Chicago, Cornell, Columbia, Johns Hopkins e outras. E nosso fuso é cinco horas adiantado ao de outra região importante, que é a Costa Oeste, onde estão o Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) e as universidades Stanford e de Berkeley, Los Angeles e San Diego.

Qualquer anúncio feito à tarde nessas localidades deixa a maior parte das redações brasileiras em dificuldades na corrida contra o tempo. Há que se ressaltar, no entanto, que as poucas equipes especializadas na cobertura de C&T superam satisfatoriamente esses contratempos, seja devido à sua desenvoltura e ao amplo conhecimento de fontes nessa área, seja porque muitas vezes estão informados com antecedência sobre essas divulgações.

5. Os periódicos científicos e a imprensa

De um modo nem sempre consciente, o critério adotado pela maior parte da cobertura jornalística de C&T para assegurar confiabilidade de suas notícias tem sido nas últimas décadas o princípio de exigência do endosso de comitês científicos independentes. Em termos práticos, isso significa estabelecer como fontes principais do noticiário de ciência os informes para a imprensa de agências internacionais e por instituições de pesquisa, elaborados a partir de artigos publicados em periódicos científicos, os quais contam com comitês consultivos independentes para avaliar os estudos encaminhados para publicação.19

Entre os periódicos interdisciplinares destacam-se os norte-americanos Science e PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) e o britânico Nature. Na área da medicina, que é um dos principais interesses do público em geral, os que mais se destacam são o Jama (Journal of the American Medical Association) e The New England Journal of Medicine, dos Estados Unidos, e British Medical Journal e The Lancet, do Reino Unido. Consagradas como principais e indispensáveis fontes da imprensa em todos os países, essas revistas rapidamente incorporaram uma outra função além da original de divulgação científica inter pares, mas de uma forma não explícita: elas passaram a ser veículos de comunicação disponíveis para instituições científicas ― governamentais ou não-governamentais ―, lideranças acadêmicas e até de empresas, como as indústrias farmacêuticas, os recentes empreendimentos da genômica e outros.20

Tendo expandido seu público-alvo para além dos limites da comunidade acadêmica, muitos periódicos científicos passaram também a organizar com regularidade eventos especiais para influenciar comunicadores, formadores de opinião e tomadores de decisão. Desse modo, essas revistas passaram a servir como veículos para campanhas institucionais do setor, as quais muitas vezes se destinam à captação de recursos. Aos simples press-releases se acrescentaram, com o tempo, entrevistas coletivas, eventos especiais e teleconferências. Nos anos finais do século XX, em plena disputa pela preferência de pesquisadores para a publicação de artigos científicos com potencial de grande repercussão, alguns desses periódicos passaram inclusive a estabelecer os destaques de suas edições de olho na pauta de seus concorrentes, chegando ao ponto de antecipar, inclusive por meio de entrevistas coletivas, a liberação de informações sobre pesquisas antes das datas de publicações.

6. O exemplo da genômica

Esse novo papel dos periódicos científicos no agendamento das pautas jornalísticas teve como um de seus mais contundentes exemplos já em fevereiro de 2001, com a divulgação simultânea dos resultados do Projeto Genoma Humano (HGP) — de instituições públicas dos EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Japão e China — e do grupo privado norte-americano Celera Genomics. Por meio de um entendimento que envolveu até mesmo os governos norte-americano e britânico, o primeiro empreendimento teve seus resultados divulgados no dia 15 daquele mês pela revista Nature (vol. 409, nº 6822), ao passo que os do segundo projeto foram veiculados no dia seguinte na Science (vol. 291, nº 5507.

Essa iniciativa simultânea das duas publicações, compreensível devido à importância dos resultados divulgados, foi caracterizada, porém, por notáveis transgressões ao padrão da linguagem empregada em publicações científicas, que sempre evitaram o recurso a metáforas e de outras figuras de linguagem. Mais que isso, essas duas edições usaram e abusaram até mesmo de hipérboles, tais como “Nova Era”, “Livro da Vida”, “Admirável Mundo Novo”, “façanha épica”, “tabela periódica da vida”, “Jóia da coroa”, “ápice da biologia” e outras, como mostrou o jornalista Marcelo Leite em sua tese de doutorado já convertida em livro.21

O uso dessas metáforas e hipérboles não foi episódico. Na verdade, desde seu início em 1989, o Projeto Genoma Humano passou a adotar essa prática dentro de uma estratégia para captação de elevadas somas de recursos. Como bem destacou Leite em seu estudo, justamente em um momento do desenvolvimento da biologia em que estava consolidada a convicção de que a arquitetura do genoma humano não comporta interpretações deterministas do tipo “tudo está nos genes”, as lideranças do HGP passaram a adotar uma “mobilização retórica e política, nas interfaces com a esfera pública leiga, de um determinismo genético crescentemente irreconciliável com os resultados empíricos obtidos no curso da própria pesquisa genômica”.22

A adoção dessa retórica voltada para a captação de recursos na divulgação por meio dos próprios periódicos científicos tem sido um exemplo mais contundente das atividades proporcionadas por esse novo papel dessas revistas. Nesse sentido, vale retomar as seguintes considerações da obra de Leite:

As revistas Nature e Science se encontram em posição privilegiada para influenciar o significado que realizações de cientistas assumem no imaginário social: têm periodicidade semanal, não são ultra-especializadas como maioria dos journals, os trabalhos técnicos que veiculam são precedidos por artigos, comentários e notícias que contextualizam e discutem os dados e interpretações dos papers científicos propriamente ditos, e aderiram nas duas últimas décadas sistemas de prestação de serviços para jornalistas especializados em ciência23 que as transformaram em duas de suas fontes preferidas de informação e em mananciais de pautas para reportagem (ambas as publicações são também importantes formadoras de opinião na comunidade científica internacional). Ambas as duas edições aqui analisadas abundam em hipérboles que sublinham o caráter histórico da publicação das seqüências-rascunho do genoma humano; era imperioso, antes de mais nada, que os jornalistas assim a percebessem e assim a apresentassem para o grande público. 24

7. Conclusões: as transformações no jornalismo

A conseqüência principal dessa dinâmica hegemônica na cobertura jornalística de ciência não é apenas a falta de um posicionamento crítico nas matérias: é também a homogeneização do noticiário sobre C&T, com notícias cada vez mais parecidas umas com as outras nos diferentes meios de comunicação. No final das contas, essa sistemática interna da cobertura de C&T passou a ser criticada muito tarde, e justamente quando o jornalismo em geral começou, devido a fatores conjunturais, a passar por uma erosão de seus valores e atitudes editoriais vigentes havia muito tempo.

No final do século XX, grande parte das empresas jornalísticas começou a ser incorporada a grupos empresariais que atuavam em diversos outros setores. Em outras palavras, os meios de comunicação, que, em países como os Estados Unidos, durante quase dois séculos haviam sido exclusivos de empresários que separavam a informação da interferência direta de outras atividades econômicas, passaram cada vez mais a pertencer a conglomerados empresariais com diversas áreas de atuação. A essa mudança no modelo de propriedade da imprensa juntaram-se também as transformações tecnológicas na informação e nas comunicações, que promoveram aproximações cada vez maiores entre os conteúdos dos diversos tipos de mídias. Nesse novo contexto, a receita publicitária das mídias convencionais começou a diminuir. Em busca de novos modelos de negócios para enfrentar as mudanças na nova economia, as empresas de comunicação foram mudando o perfil de seus executivos não só nas áreas de administração e de negócios, mas também nas redações.

Na verdade, grande parte da cobertura jornalística de ciência já se encontrava — e em muitos casos pode-se dizer que hoje se encontra em uma situação mais agravada —no processo que foi devidamente caracterizado como tendência da imprensa norte-americana em geral no relatório “The State of Newsmedia 2004”, do Projeto para Excelência do Jornalismo:

  • a maior parte da atividade jornalística consiste em distribuir informações, e não em produzi-las; e
  • mesmo entre grande parte dos meios que produzem a informação a ser distribuída, confunde-se cada vez mais os elementos informativos brutos com o que seria a informação resultante de checagem, comparação e avaliação.25

Baseados em amplos dados empíricos da imprensa norte-americana, os relatórios de 2005 e 2006 do Projeto para Excelência do Jornalismo mostraram tendências complementares a essas duas, também desfavoráveis a uma prática jornalística voltada para o interesse público, entre elas a influência crescente de governos, grupos de interesses e corporações na agenda dos veículos de comunicação.26,27 Sem apontar nenhuma alternativa para reverter essas tendências indicadas anteriormente, os documentos anuais a partir de 2007 desse projeto destacaram muito mais as estratégias para sobreviver à crise nos negócios.28,29,30 No final das contas, apesar de haver luz no final do túnel para os negócios, tudo leva e crer que a crise é também do jornalismo como atividade, e que ele, para sobreviver, está se transformando também no que diz respeito aos seus valores.31

Desse modo, em vista dos aspectos de ordem conjuntural envolvidos, a questão crucial do jornalismo na área de C&T acabou por se tornar a mesma do jornalismo em geral neste neste início de milênio: o essencial não é saber se os jornais vão desaparecer, nem se os profissionais de imprensa serão todos terceirizados, mas se a função do jornalista deixará de ser a produção da informação para se restringir ao mero gerenciamento dela.32

Referências

  1. ZIMAN, John — Conhecimento Público. Tradução de Regina Regis Junqueira. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1979, p. 60.
  2. NELKIN, Dorothy — Selling Science. How the press covers science and technology. Nova York: W. H. Freeman & Co., 1985, p. 83.
  3. CASTELFRANCHI, Yurij — “Para além da tradução: o jornalismo científico crítico na teoria e na prática”. in MASSARANI, Luisa e POLINO, Carmelo (orgs.) — “Los desafíos y la evaluación del periodismo científico en Iberoamérica”. Relatório. Jornadas iberoamericanas sobre la ciencia en los medios masivos. Santa Cruz de La Sierra: AECI, RICYT, CYTED, SciDevNet, OEA, 2008.
  4. FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO (FAPESP) — “Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2004”. São Paulo: FAPESP, 2005 [http://www.fapesp.br/indicadores2004/volume1/cap12_vol1.pdf]. Acesso em 23/11/2009, vol. I, p. 12-8.
  5. KOVACH, Bill; ROSENSTIEL, Tom — Os Elementos do Jornalismo: O que os jornalistas devem saber e o público exigir. São Paulo. Geração Editorial, 2003, pp. 22-23.
  6. CASTELFRANCHI, obra citada, pp. 11-12.
  7. FRANÇA, Martha San Juan — “Divulgação ou jornalismo?” in VILAS BOAS, Sérgio (organizador) — Formação e Informação Científica: Jornalismo para iniciados e leigos. São Paulo: Summus Editorial. 2005, p. 41-42.
  8. Idem, p. 32.
  9. TEIXEIRA, Mônica ― “Pressupostos do Jornalismo de Ciência no Brasil”. in MASSARANI, Luisa; MOREIRA, Ildeu de Castro; e BRITO, Fátima (orgs.) — Ciência e Público: Caminhos da divulgação científica no Brasil. Rio de Janeiro: Casa da Ciência/Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2002. pp. 133-141.
  10. “Cheerleader or watchdog?”. Editorial. Nature. vol. 459, nº 7250, 25/06/2009, p. 1033 [http://www.nature.com/nature/journal/v459/n7250/pdf/4591033a.pdf]. Acesso em 23/11/2009.
  11. FUNDAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA; AGÊNCIA NACIONAL DOS DIREITOS DA INFÂNCIA — “Ciência, Tecnologia & Inovação na Mídia Brasileira: Conhecimento gera desenvolvimento. Relatório. Brasília: Agência Nacional dos Direitos da Infância, 2009, p. 64 [http://www.andi.org.br/_pdfs/paper_c&t_midia.pdf ]. Acesso em 23/11/2009.
  12. MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA — “Percepção Pública da Ciência e Tecnologia”. Apresentação. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia/Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social/Departamento de Popularização e Difusão da C&T, 2007. [http://semanact.mct.gov.br/index.php/content/view/922.html]. Acesso em 23/11/2009.
  13. As outras alternativas de resposta eram: representantes de organizações de defesa do consumidor (3%), médicos (7%), cientistas que trabalham em empresas (7%), escritores (8%), jornalistas (15%), religiosos (18%), militares (44%) e políticos (84%).
  14. FAPESP, Obra citada, vol. I, p. 12-13.
  15. NATIONAL SCIENCE FOUNDATION — “Science and engineering indicators 2008”. Washington: U.S. Government Printing Office, 2008 [http://www.spaceref.com/news/viewsr.html?pid=26695]. Acesso em 23/11/2009.
  16. EUROPEAN COMMISSION — Special Eurobarometer 224 “Europeans, Science and Technology”. Relatório. Bruxelas: European Commission/Directorate General Research, junho de 2005 [http://ec.europa.eu/public_opinion/archives/ebs/ebs_224_report_en.pdf ]. Acesso em 23/11/2009.
  17. VOGT, Carlos; POLINO, Carmelo (orgs.) — Percepção pública da ciência: Resultados da pesquisa na Argentina, Brasil, Espanha e Uruguai. Campinas: Editora da Unicamp; São Paulo: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, 2003.
  18. OBAMA, BARACK — “Rejeitamos como falsa a opção entre segurança e ideias” (Transcrição de discurso). Folha de S. Paulo, 21/01/2009, caderno especial “A posse de Obama”, p. A2.
  19. TUFFANI, Maurício — “A clonagem das notícias de ciência”. ComCiência, nº 74, 10/02/2006 [http://www.comciencia.br/comciencia/handler.php?section=8&edicao=8&id=46]. Acesso em 23/11/2009.
  20. Idem.
  21. LEITE, Marcelo — Promessas do Genoma. São Paulo: Editora UNESP, 2007, p. 31.
  22. Idem, p. 11.
  23. Press Nature (www.pressnature.com) e Eurekalert/Sience (www.eurekalert.org/jrnls/sci) [nota do texto original transcrito].
  24. Marcelo Leite, Obra citada, p. 30.
  25. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2004”. Relatório. Nova York: Columbia University/Graduated School of Journalism, 2004. [http://www.stateofthenewsmedia.com/2004]. Acesso em 23/11/2009.
  26. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2005”. Relatório. Nova York: Columbia University/Graduated School of Journalism, 2005 [http://www.stateofthenewsmedia.com/2005]. Acesso em 23/11/2009
  27. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2006”. Relatório. Washington: The Pew Research Center, 2006 [http://www.stateofthenewsmedia.com/2006]. Acesso em 23/11/2009
  28. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2007”. Relatório. Washington: The Pew Research Center, 2007 [http://www.stateofthenewsmedia.com/2007]. Acesso em 23/11/2009.
  29. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2008”. Relatório. Washington: The Pew Research Center, 2008 [http://www.stateofthenewsmedia.com/2008]. Acesso em 23/11/2009.
  30. THE PROJECT FOR EXCELLENCE IN JOURNALISM — “The State of the News Media 2009”. Relatório. Washington: The Pew Research Center, 2009 [http://www.stateofthenewsmedia.com/2009]. Acesso em 23/11/2009
  31. TUFFANI, Maurício — “O mal-estar na informação”. Laudas Críticas (blog), 19/08/2008 [https://laudascriticas.wordpress.com/2008/08/19/o-mal-estar-na-informacao]. Acesso em 23/11/2009.
  32. Idem.

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Written by Mauricio Tuffani

quinta-feira, 26/11/2009 at 13:14