Laudas Críticas

Brasil ganha elogio na estreia de ‘Anos para Viver Perigosamente’

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Estrelada por Harrison Ford e Don Cheadle, a série “Anos para Viver Perigosamente“, cujo tema central é o aquecimento global, será lançada pelo ShowTime domingo (13.abr), mesmo dia em que será divulgado o próximo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas). Nesse primeiro episódio, o Brasil não só fica fora da pancadaria que tradicionalmente tem recebido por causa da devastação da Amazônia, mas também é apontado por cientistas da Nasa como o país que mais tem reduzido os desmatamentos.

Criada por Joel Bach e David Gelber, produtores do telejornal norte-americano 60 Minutos, a série tem em sua produção Arnold Schwarzennegger e James Cameron, diretor e autor de “Titanic” e “Avatar”. Para os episódios seguintes estão previstas as participações, como entrevistadores, de Matt Damon, Jessica Alba e outros astros de Hollywood.

Documentário

“Viemos com a ideia de fazer uma série de documentários no modelo do 60 Minutos“, declarou Gelber em entrevista anteontem ao Sun Herald, na qual afirmou também que ele e Bach, seu sócio na criação do novo programa, acreditam que a mudança climática é a história mais importante desta geração, mas está recebendo pouca atenção da mídia.

O primeiro episódio está disponível com closed caption original no YouTube no vídeo a seguir. E um preview do segundo, com a participação de Ian Somerhalder, galã da série “The Vampire Diaries”, também já pode ser acessado.

Secas e desmatamentos

A irrupcão e o agravamento das secas em diversas regiões do mundo como consequências do aquecimento global é o assunto central do primeiro episódio, que tem início em pleno Vale do Silício, na Califórnia. Lá, no Centro de Pesquisas Ames, da Nasa, em Mountain View, Harrison Ford pega carona em um jato em missão de coleta de amostras de ar em altitudes de alguns quilômetros. Em seguida, o ator-entrevistador conversa com cientistas da Divisão de Supercomputação Avançada da agência espacial.

Depois de receber explicações sobre a conexão entre as secas e o aumento da temperatura média global por meio das crescentes emissões de dióxido de carbono e metano, Ford ouve do indiano “Rama” Nemani, diretor do Laboratório de Previsão Ecológica da Nasa, que 20% desses gases lançados à atmosfera vêm de desmatamentos.

Texas, Síria e Indonésia

“O melhor país em termos da redução de desmatamentos tem sido o Brasil”, afirma para Ford o geógrafo Mathew Hansen, da Universidade de Maryland, que acrescenta ser a Indonésia o pior dos maus exemplos no combate ao desflorestamento. A partir daí o entrevistador segue para o Sudeste Asiático para constatar in loco que a derrubada de florestas tropicais acontece em grandes proporções até mesmo dentro de grandes parques nacionais, envolvendo a extração de óleo de palma para a fabricação de xampus e outros produtos de limpeza pessoal.

Na Indonésia, Ford reporta os desmatamentos seguidos de queimadas e suas enormes emissões de gases estufa. Don Cheadle visita diversas comunidades arrasadas economicamente pela estiagem no Texas. E Thomas Friedman, repórter do New York Times, vai ao Oriente Médio para compreender o agravamento das causas da guerra civil na Síria pelas secas.

Paro de antecipar informações por aqui, pois detalhes sobre o que já foi dito seriam spoilers. O que importa, desde já, é observar que, apesar de ter o mesmo propósito, “Anos para Viver Perigosamente” com seu formato não deverá ser, para o público menos engajado, tão chato quanto “Uma Verdade Incoveniente”. O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, por sua iniciativa de fazer o filme e de nele participar ganhou o apelido de “Al Bore” (algo como “Al Maçante”).

Vamos com calma

Por mais justa que seja a menção ao Brasil nesse primeiro episódio como bom exemplo no combate ao desmatamento, não dá para deixar de lado que nosso país já foi longe demais na tolerância à destruição de nossas florestas. Em fevereiro, poucos dias depois do anúncio do Ministério do Meio Ambiente da redução dos desmatamentos na Amazônia brasileira, este mesmo blog mostrou que a extensão da devastação acumulada nessa região passou de 377,6 mil km2 em 1988 para 759,2 mil km2 em 2013.

Essa superfície já desmatada corresponde aproximadamente à metade de todo o estado do Amazonas, que é de 1,57 milhão de quilômetros quadrados). Equivale também ao triplo da área do estado de São Paulo (248,2 mil km2), que é pouco maior que a do Reino Unido (243,1 mil km2). Antes que comecem a soltar rojão pegando carona no primeiro episódio da série, vale lembrar esses outros números do post “Amazônia desmatada é o triplo da área de SP” (25.fev).

 

 

 

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