Laudas Críticas

Imprensa começa a destacar impactos ambientais da seca em SP

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Em suas edições deste domingo (6.abr), os jornais O Estado de S. Paulo e Diário da Região, de São José do Rio Preto, mostram um aspecto que estava demorando para começar a ser abordado pela imprensa, que é o impacto ambiental da redução do volume de água de nascentes, rios e reservatórios e sua relação com as políticas de recursos hídricos e de uso e ocupação do solo.

O Estadão, com a reportagem “Volume morto do sistema Cantareira ameaça espécies de extinção“, de Rodrigo Brandt, destacou previsões de especialistas para as consequências do uso, por meio de bombeamento, do chamado volume morto dos sistema Cantareira, que faz parte da estratégia do governo do estado de São Paulo para abastecer a população da Grande São Paulo e de muitos outros municípios. Na avaliação dos pesquisadores ouvidos pelo repórter,

Peixes vão desaparecer, aves e outros animais migrarão. Esses e demais organismos vivos do bioma passarão por transformações biológicas e comportamentais, provocadas pela seca severa fora de época do verão de 2014. Problema que será potencializado com a captação do volume morto do Cantareira. Num efeito em cascata, toda cadeia alimentar das vidas dos mananciais vai mudar.

O Diário da Região, por sua vez, ressalta que serão necessários pelo menos dez anos para recuperar as “Dez nascentes mortas e 29 agonizando” às quais se refere o título de sua reportagem. A reportagem destacou também a indução ao agravamento desse quadro pela criação de gado e pelas plantaçõs de cana-de-açúcar em áreas, que deveriam ser de preservação permanente, mas se tornaram livres para esse tipo de ocupação do solo devido às mudanças no Código Florestal:

As APP’s eram áreas de no mínimo 30 metros em rios de até 10 metros de largura próximo ao curso d’água, até a aprovação do novo Código Florestal, em 2012. Essas áreas precisam ser preservadas e cercadas para que o gado não avance para o leito das nascentes, porém, com a aprovação do novo Código Florestal, o produtor rural que já mantinha alguma atividade nessas áreas foi autorizado a manter a cultura já existente. O novo código também mudou a área das APP’s que variam de acordo com o município onde estão e do tamanho da propriedade.

As duas reportagens mostram essas e outras importantes informações prestadas por pesquisadores. O Diário da Região traz também um infográfico muito bem elaborado sobre a extensão do problema da seca em nascentes, rios e reservatórios do interior do estado.

Os dois veículos permitem acesso para quem não é assinante por meio dos dois links acima. Boa leitura!

 

Uma resposta

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  1. Caro Maurício, é claro que serão necessárias medidas específicas, mas até onde eu sei a legislação atual, se fosse observada pelo Poder Executivo (Prefeituras e estados) e pelo aparato judiciário, já teria evitado muitos males…refiro-me à ocupação do solo predatória, ao lançamento de dejetos e resíduos industriais! O mais importante é acordar para a dimensão política do fato: afinal por que essa paralisia dos agentes políticos no que toca à questão? Por que essa dificuldade em aplicar a lei? Não podemos levar o chamado para “diminuir os custos do Brasil” ao chamado para “diminuir o Brasil”´, ou mesmo ao chamado para “acabar com o Brasil”.

    Veríssimo

    domingo, 06/04/2014 at 11:54


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