Laudas Críticas

Brasil acordou tarde para o monitoramento de cheias e secas

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Sala de situação da Agência Nacional de Águas, em Brasília. Foto: Natália Sampaio/Banco de Imagens/ANA

O uso de modernas tecnologias e sistemas adotados em outros países para o monitoramento em tempo real de cheias e secas chegou tarde ao Brasil. A partir de amanhã (terça-feira, 26.mar) é que Minas Gerais inaugura sua sala de situação em conexão direta com a Rede Hidrometeorológica Nacional, da ANA (Agência Nacional de Águas). E somente desde o ano passado passaram a atuar nessa rede outros 12 estados — Amazonas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins.

Ainda faltam implantar suas salas de situação e outras instalações integradas a essa rede o Distrito Federal, o Espírito Santo e Mato Grosso do Sul. Os dois últimos estados têm suas inaugurações previstas para este ano, segundo a edição 2013-2014 da revista Balanço das Águas, cuja versão online acaba de ser publicada pela ANA.

Estações e satélites

A agência realiza o monitoramento em tempo real de chuvas, rios e reservatórios com base em dados de cerca de 2.100 estações de coleta e transmissão de dados em todo o país. A rede hidrometeorológica atua em parceria com os centros do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de Cuiabá e de Cachoeira Paulista, onde são coordenados os trabalhos com satélites.

Em Belo Horizonte, a Sala de Situação de Eventos Críticos Hidrológicos, que será inaugurada amanhã pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) e pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, exigiu investimentos de mais R$ 1 milhão custeados pelo governo federal. No ano passado, a ANA investiu cerca de R$ 7,6 milhões nas 12 salas e em 158 plataformas de coletas de dados dos estados que passaram a integrar a rede.

Parcerias

A rede nacional vem sendo implantada pela ANA em parceria com os estados. A agência oferece acesso ao seu banco de dados hidrológicos, equipamentos para as salas de situação e treinamento de técnicos, além de instalar novas plataformas para coletas de dados, segundo a revista. Aos estados cabe garantir o espaço físico e os recursos humanos.

A Rede Hidrometeorológica Nacional possui mais de 4,5 mil estações para em todo o país. Em 2013, foram modernizadas 158 estações fluviométricas (monitoram rios) e 181 pluviométricas (monitoram chuvas). Segundo a agência, no de 2010 a 2013, foram modernizados 19% de seus equipamentos fluviométricos e 24% de seus pluviométricos. Para 2014, a meta do órgão é aumentar esses percentuais respectivamente para 24% e 29%.

Boa má notícia

No Distrito Federal, a implantação de estações e equipamentos para integração à rede nacional não passou da estaca zero, pois ainda nem sequer foi assinado o acordo de cooperação técnica da agência nacional com o governo distrital.

No caso de Minas Gerais, a notícia que só consegue ser boa devido ao “antes tarde do que nunca” mostra a absoluta falta de prioridade do poder público para investimentos em infraestrutura para prevenção de crises. E isso vale não só para o governo desse estado — que, vale lembrar, também abriga nascentes do sistema Cantareira, de São Paulo, que se encontra em situação crítica desde o ano passado —, mas para os gestores das demais unidades da federação e o próprio governo federal.

Leia também neste blog: “A água que se perde antes de chegar ao ralo” (24.mar.2014)

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