Laudas Críticas

Pesquisador coagiu estagiários a alterarem dados de experiência, concluiu agência dos EUA

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Advocate Lutheran General Hospital, Park Ridge, Illinois,  Creative Commons Attribution-Share Alike 2.0 Generic License

A Agência da Integridade da Pesquisa (ORI) dos Estados Unidos relatou anteontem (segunda-feira, 18.mar) que o cardiologista Parag V. Patel constrangeu estagiários a falsearem resultados de uma pesquisa coordenada por ele a partir de 2008 no Hospital Geral Beneficente Luterano, da cidade de Park Ridge, no estado de Illinois.

Os estagiários teriam sido coagidos pelo médico a registrar percentuais menores que os realmente observados para os volumes de sangue bombeados nos ventrículos esquerdos dos corações de pessoas com infarto agudo do miocárdio, segundo a nota da ORI publicada no Federal Register, o diário oficial dos EUA. Desse modo, esses pacientes teriam sido indevidamente indicados para tratamento com desfibriladores.

Uso de desfibrilador

A publicação relata anda que Patel também teria incorrido em “má-conduta” influenciando outros médicos a rever e a reduzir para menos de 35% os percentuais registrados para a chamada fração de ejeção do ventrículo esquerdo (LVEF na sigla em inglês) de pacientes. Em condições normais, o percentual de bombeamento nessa parte do coração humano varia de 55% a 70%, segundo nota da Retraction Watch.

O estudo, que previa envolver cerca de 1.900 pacientes até 2015 e foi custeado com recursos do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e do Sangue, teve resultados preliminares divulgados em 2009. Na ocasião, Patel sugeriu o uso de um colete desfibrilador automático para reduzir o risco de mortalidade nos primeiros 60 dias, após infarto do miocárdio, em pacientes com LVEF fração de ejeção ventricular esquerda menor ou igual a 35 por cento.

Acordo de dois anos

A investigação do caso foi realizada pela ORI com a participação do Hospital Geral Beneficente Luterano, que não tem fins lucrativos e tem sido apontado nos últimos 15 anos entre os cem melhores dos Estados Unidos.

Nascido no Quênia, Patel, que tem 47 anos de idade e 15 de experiência como cardiologista, não negou nem admitiu a responsabilidade pela alteração dos resultados, mas se comprometeu a cumprir um acordo vigente por dois anos a partir de sua assinatura, que ocorreu em 21 de fevereiro.

O acordo estabelece que nos próximos dois anos Patel não poderá atuar como consultor em nenhum trabalho no âmbito do serviço de saúde pública, nem em comissões de revisão de trabalhos científicos, e só poderá realizar outras pesquisas após aprovação pela ORI de um plano de supervisão para novos trabalhos. Além disso, o cardiologista terá de submeter relatórios semestrais a uma comissão de três médicos do hospital, que se encarregará também de fazer uma revisão dos estudos nos quais ele participou.

Burocracia disfuncional

A ORI é uma agência ligada ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), órgão ministerial do governo dos EUA. Antes que os leitores fiquem impressionados positivamente com a atuação desse órgão no caso que envolveu Parag V. Patel, vale registrar que seu diretor David Wright se demitiu em 25 de fevereiro fazendo duras críticas à burocracia “descomunalmente disfuncional” do governo federal.

Conforme reportagem da Science Insider (12.mar), entre outras reclamações Wright afirmou em sua carta de demissão a Howard Koh, seu superior imediato no HHS, que o orçamento da ORI tem sido comido pelas beiradas por funcionários veteranos da agência e que o próprio gabinete de Koh tem uma cultura de trabalho com falhas graves, entre elas a tendência ao segredo, à autocracia e à falta de esclarecimentos.

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