Laudas Críticas

Co-autor de pesquisa sob suspeita de fraude diz não saber que células usou

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Mouse-embryo_Haruko-Obokata

Hoje surgiu mais uma notícia para abalar a credibilidade do recente anúncio de uma nova técnica para obter células-tronco e, com elas, facilitar o desenvolvimento de tratamentos de diversas doenças. Teruhiko Wakayama, da Universidade Yamanashi, no Japão, afirmou não ter certeza da procedência das células por ele usadas em laboratório, em um trabalho relatado por ele e por outros cientistas em dois artigos publicados em janeiro na revista científica britânica Nature.

“Não existe mais credibilidade quando existem tais erros cruciais”, disse Wakayama por e-mail ao jornal The Wall Street Journal. O pesquisador não entrou em detalhes sobre os erros sobre os quais comentou, segundo o repórter Alexander Martin. No entanto, segundo o jornalista, o cientista afirmou “Eu mesmo não sei o que usei em meus experimentos”, ao se referir às células que recebera da coordenadora da pesquisa, a bióloga Haruko Obokata, do Laboratório de Reprogramação Celular, vinculado ao Instituto Riken.

Retratação

A reportagem do WSJ informou também que Wakayama declarou ter pedido a Obokata a retratação pela publicação dos dois artigos científicos.

No dia 17 de fevereiro, a Nature divulgou em seu site que já teria iniciado uma averiguação sobre acusações de adulteração de imagens em um dos dois trabalhos desenvolvidos no Japão, ambos publicados na edição de 30 de janeiro, que anunciaram a reversão de células de diversos tecidos de camundongos para o estágio embrionário por meio de nada mais que um banho ácido.

Junto com essa notícia estava a promessa de dispensar os riscos e as complicações de técnicas que envolvem manipulação genética de vírus para desenvolver tratamentos de diferentes tipos de câncer e doenças como as de Parkinson, Alzheimer e outras. Restaria apenas reproduzir em humanos os resultados obtidos com cobaias.

Resultados não reproduzidos

Ao anunciar essa apuração, a Nature afirmou que já havia sido iniciada na semana anterior uma investigação sobre a pesquisa pelo próprio Instituto Riken. E ressaltou também o fato de que especialistas de outras instituições afirmaram não terem conseguido reproduzir em seus próprios laboratórios os resultados apontados nessa pesquisa.

Mais informações sobre esse assunto estão neste mesmo blog no post “A suspeita de fraude e o ‘sensacionalismo’ em revistas científicas“, de 28 de fevereiro.

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