Laudas Críticas

Está na hora de comparar rankings universitários

leave a comment »

Ranking-Alto

Os rankings sobre o ensino superior se tornaram cada vez presentes no noticiário, e já começaram há alguns anos a apresentar colocações muito diferentes para universidades e faculdades. Com isso já está mais do que na hora de começar a comparar essas classificações, de modo a facilitar a compreensão de seus métodos e critérios.

No ano passado, por exemplo, a USP ficou no 43ª lugar na classificação do Webometrics Ranking Web of World Universities. Ontem a mesma universidade foi anunciada em oitavo lugar no Top Universities, da instituicão de pesquisa educacional Quacquarelli Symonds.

A principal razão para a discrepância está no fato de que o primeiro levantamento se baseia na exposição que as instituições alcançam na internet, enquanto a outra classificação se baseia na produção de trabalhos científicos e outros indicadores acadêmicos e abrangeu apenas as universidades emergentes do Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Na versão referente à área de ciências agrárias e florestais, por exemplo, a Unicamp (Universidades Estadual de Campinas) ficou classificada como a 22ª melhor do mundo, seguida no Brasil pela USP, em 27º lugar, e pela Unesp (universidade Estadual Paulista), na 50ª posição.

Esses levantamentos sobre o desempenho de universidades e faculdades se baseiam geralmente em indicadores sobre trabalhos científicos publicados em periódicos internacionais, citações desses trabalhos por outros estudos, pesquisadores com maior número de publicações, desempenho na formação de estudantes de graduação e pós graduação e até mesmo dados de pesquisas de satisfação de pais e alunos. Mas suas metodologias e critérios acabam quase sempre produzindo resultados muito diferentes na classificação das instituições.

Novidade da China

No Brasil, já havíamos começado a nos habituar com esse tipo de classificação do ensino superior no século passado, a partir dos anos 1980, com o ranking que periodicamente era divulgado por uma revista masculina, a Playboy. Mas em 2003 surgiu uma novidade chinesa que teve repercussão internacional, o Academic Ranking of World Universities (ARWU), da Universidade Shanghai Jiao Tong.

Em 2004, o grupo editorial do jornal britânico The Times lançou o Times Higher Education (THE). Nesse mesmo ano, o Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha lançou o Webometrics Ranking of World Universities, que se baseia na divulgação de trabalhos acadêmicos pela internet. Na Holanda, o CWTS Leiden Ranking foi criado em 2008 pela Universidade Leiden.

Carreira solo

Em 2009, o centro de pesquisas britânico Quacquarelly-Symonds (QS), que desde 2004 fornecia dados para o Times Higher Education, passou a fazer “carreira solo” com seu próprio ranking, e o THE passou a trabalhar com informações da base de dados Thomson Reuters. Mais recentemente, a QS lançou o Top Universiities, cuja edição de 2013 foi anunciada ontem.

Entre os demais rankings que surgiram depois, destaca-se no Brasil o Ranking Universitário Folha, que para os brasileiros trouxe a oportunidade de ter um levantamento com metodologia e critérios mais adequados para a comparação entre as instituições de ensino superior do país.

Campanhas publicitárias

Os rankings que envolvem o ensino superior já fazem parte há alguns anos do calendário de divulgação de universidades e faculdades. Essas informações interessam não só para grande parte da população, que cada vez mais vê a formação universitária como um caminho para melhor qualificação profissional, mas também para as próprias instituições ranqueadas.

Para as universidades e faculdades, além de os dados sobre suas colocações poderem servir para elas aperfeiçoarem seu desempenho no ensino e na pesquisa, eles servem também para a captação de recursos e a apresentação de indicadores de desempenho acadêmico e, no caso das particulares, para campanhas publicitárias.

Novos rankings?

Por envolverem expectativas da sociedade e das próprias instituições classificadas, os rankings sobre o ensino superior costumam interessar também para a imprensa e para os departamentos de marketing das universidades e faculdades. Ao serem levados para o conhecimento do público em geral, os dados desses rankings passam por uma tradução que, na linguagem da comunicação, envolve geralmente uma semelhança com os pódios e premiações esportivos. Desse modo, aquela informação que já era de interesse geral passa a ser mais atrativa.

Desse modo, a elaboração de rankings passou a ser também uma atividade geradora de recursos, tanto para instituições com fins lucrativos como para entidades públicas que buscam recursos para manter ou ampliar seus projetos. Desse modo, novos rankings devem surgir nos próximos anos. Ou, quem sabe, comecem a acontecer fusões e aquisições nesse setor.

Para saber mais

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: