Laudas Críticas

O tabu em torno da razão

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Publicado na Folha de S. Paulo, 26 de maio, pág. A3 (Tendências/Debates)

Em seu artigo “Irracionalismo” (Folha de S. Paulo, Ilustrada, 15/5), o colunista Antonio Cícero contestou os que acusam Descartes de ser autor de um pensamento conservador e repressivo. Mas o fez atribuindo indevidamente a Martin Heidegger um “feroz anticartesianismo” e também a “desqualificação” da tradição filosófica e da razão. Com o devido respeito ao colunista, suas imputações ao pensador alemão do século 20 são simplificações falseadoras, assim como as próprias acusações ao filósofo francês do século 17.

Descartes é uma das melhores provas da fragilidade da famosa 11ª das Teses sobre Feuerbach, de Marx: “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo. Cabe transformá-lo”. É inegável o papel revolucionário do cartesianismo na consolidação do ideário que dessacralizou o mundo e possibilitou submetê-lo aos rumos da burguesia em ascensão

Heidegger não deixou de reconhecer o valor do pensamento moderno. Não faria sentido o rótulo “anticartesianismo”, mesmo sem o adjetivo “feroz”. Leitura cuidadosa de suas obras desautoriza a mostrá-las com uso do prefixo “anti”. Aliás, como disse ele em Sobre o Humanismo, de 1947, “no âmbito do pensamento essencial, toda oposição é supérflua”.

Em relação especificamente a Descartes, a obra principal de Heidegger, Ser e Tempo (§ 24 página 24 [correção de 29/5 às 7h55*]), ressalta não ser contestação à validade da concepção de certeza do pensador francês. Trata-se, isso sim, de mostrar a noção cartesiana não como essência da certeza, mas como derivação dessa essência.

Em outras palavras, Heidegger problematiza as próprias noções de verdade e de razão. Ou seja, ele as recusa como absolutas. Mas isso — que o colunista não aceita — não é desqualificar a razão nem a ciência, a técnica e a modernidade.

“Seria insensato investir às cegas contra o mundo técnico. Seria ter vistas curtas querer condenar o mundo técnico como uma obra do diabo”, disse o pensador alemão em 1949, numa palestra para uma plateia não especializada, publicada com o título “Serenidade”. Sua objeção é outra: “Contudo, sem nos darmos conta, estamos de tal modo apegados aos objetos técnicos que nos tornamos seus escravos”.

Há muitas críticas contundentes a Heidegger. Aqui mesmo, no Brasil, um de seus ex-alunos, o gaúcho Ernildo Stein, destacou que seu pensamento se torna vulnerável quando é preciso fazer juízos históricos sobre o aqui e agora. E acrescentou: “A tentação de se apresentar como profeta, enquanto se é filósofo, além de absurda, é ridícula. E Heidegger nem sempre consegue fugir a essa tentação”.

Por sua vez, Carlos Alberto Ribeiro de Moura, da USP, apontou na leitura heideggeriana de outros filósofos, especialmente de Nietzsche, a “tortura dos textos para extorquir-lhes ‘confissões’ ao gosto do intérprete”. Por falar em Nietzsche, vale lembrar que, em Além do Bem e do Mal (§ 6), ele destacou que toda filosofia esconde intenções morais. Sejam quais forem as de Antonio Cícero, elas parecem fazer do questionamento da razão um tabu.

MAURÍCIO TUFFANI é jornalista, editor do blog Laudas Críticas e assessor de comunicação e imprensa da Unesp.

* Correção de 29/5 às 8h55 — Em sua resposta hoje na Folha ao texto acima (“Heidegger, Descartes e a razão”), Antonio Cicero observou corretamente que Descartes nem sequer é citado no § 24 de Ser e Tempo. Não foi a primeira vez que fiz essa mesmíssima confusão, baseada em um erro de anotação minha, na qual usei “§ 24” em vez de “p. 24” . A versão que uso dessa obra é a 18ª edição alemã [Martin Heidegger, Sein und Zeit (18. Aufl.). Tübingen: Max Niemeyer Verlag, 2001]. Na segunda edição brasileira, o trecho a que me refiro no texto acima corresponde às páginas 62 e 63 (tradução de Márcia Sá Cavalcante Schuback, Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2006).

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Written by Mauricio Tuffani

quarta-feira, 26/05/2010 às 6:20

Publicado em Filosofia

16 Respostas

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  1. Fiquei um tanto decepcionado com a resposta de Antonio Cicero. As duas citações literais que você fez de Heidegger, por exemplo, ficaram sem resposta. Ele aproveitou muito mal o espaço de sua coluna, que é bem maior que o artigo dele, pois centrou-se demais em você, Tuffani. Acho que essa brincadeira sua com a palavra tabu, que é o mesmo nome do filme dele com Caetano veloso, acabou deixando ele incomodado.Seja como for, gostaria que você se posicionasse em relação as observações dele sobre Heiddeger. []s

    sergisapo

    sábado, 29/05/2010 at 11:15

  2. Prezado Sergisapo,

    O filme Tabu, vencedor das categorias Melhor Filme e Melhor Fotografia do Festival de Brasília de 1982, foi dirigido por Júlio Bressane, que também foi co-roteirista com Luciano Figueiredo. Até onde eu sei, e pelo que conferi há pouco na internet, Antonio Cicero atuou como artista, ou seja, o filme não é “dele”.

    Saudações,

    Maurício Tuffani

    PS das 12h16 – Não me parece que o colunista tenha deixado essas duas citações sem resposta. Entendo que alguns argumentos dele se contrapõem interpretativamente a elas com outros elementos. Posso não concordar com o que ele diz, mas não vejo essa omissão.

    Mauricio Tuffani

    sábado, 29/05/2010 at 11:25

  3. Jornalista Maurício Tuffani, parabéns pelo seu blog! Sou estudante de jornalismo e estou aqui por causa dessa polêmica entre vc e Antonio Cicero. E prefiro perguntar a vc pq acho q ele mandrakeou a réplica contra sua crítca a ele. E tb pq ñ gostei do jeito grosseiro q ele te tratou. Vi agora a noite na biblioteca da facul o livro “Ser e Verdade” (ed. Vozes) do heiddeger q tem a tal “A Questão Fundamental da Filosofia” q ele cita assim no artigo dele:

    {Se isso não bastar para qualificar de “feroz” o anticartesianismo de Heidegger, lembro que ele, em “As questões fundamentais da filosofia”, queixa-se da importância que é dada, nas universidades alemãs, ao estudo de Descartes, pois assegura que esse filósofo representa “o início de uma mais ampla decadência fundamental da filosofia”.}

    Dúvida 1: de fato na p. 53 ele reclama mesmo da grande importancia de Descartes nas universidades da Alemanha, e na p. 54 ele fala q Descartes é o início da decadencia da filosofia, mas ñ é como o Cicero diz pq o Heideger ñ relaciona uma coisa c/ a outra do jeito q esse parágrafo dele diz. Quer dizer, ele força a barra, vc ñ acha?

    Dúvida 2: mas antes disso o Heidegger superelogia o Descartes na p. 51, dizendo q ele arrancou a filosofia de uma situação indigna. Na p. 52 ele fala tb q “ele ousa filosofar radicalmente” e faz outros elogios q ñ tive tempo de anotar.

    Dúvida 3: Vc ñ acha o Heidegger contraditório? Como ele pode combinar a decadencia com esses elogios e outros q estão nesse livro?

    Parabéns tb por sua luta vitoriosa contra essa besteira da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. É por causa desse assunto e do patrulhamento dos defensores do diploma q ñ me identifiquei. Abs.

    Anônima

    segunda-feira, 31/05/2010 at 23:51

  4. Prezada Anônima,

    Obrigada por seus elogios ao blog e à minha atuação contra essa obrigatoriedade que só serviu para aviltar a formação superior e o mercado de trabalho.

    Sobre sua Dúvida 1, de fato Antonio Cicero fez uma interpretação indevida e enganosa ao tomar duas afirmações de Heidegger distantes alguns parágrafos uma da outra e colocar na boca do pensador alemão uma inferência de ambas que ele não fez. Eu tenho esse volume e constatei essa forçada de barra já no sábado. Você está certa. Mas eu não pretendo tocar nesse ponto em minha resposta a ele, pois há questões interpretativas essenciais a serem apontadas.

    Sobre suas duas outras dúvidas, que na verdade são uma só, não há contradição entre essas duas afirmações de Heidegger que você menciona. Peço, porém, sua paciência para aguardar na Folha minha resposta ao artigo do colunista.

    Saudações,

    Maurício Tuffani

    Mauricio Tuffani

    terça-feira, 01/06/2010 at 0:45

  5. Fala, Tuffani! Pela sua resposta à “Anônima”, deduzo que sua porrada no colunista-letrista-filósofo será arrasadora. A máfia do dendê vai tremer! (Rss) O que você achou da surrada cantilena dele com a “defesa da razão”? Percebi uma “esperteza argumentativa” dele: a troca dissimulada de sua objeção à “desqualificação” da razão pela “relativização” dela. Ou seja, ele critica veementemente o que você não disse. Como você observou em outra ocasião, ele parece estar numa discussão imaginária. Abraço.

    Anderson Torres

    terça-feira, 01/06/2010 at 3:00

  6. Caro Anderson,

    Esteja certo de que farei tudo para que a discussão não se torne um pugilato filosófico que a esvaziaria do essencial. Prefiro, por enquanto, não entrar em detalhes do que será minha resposta.

    Abraço,

    Maurício Tuffani

    Mauricio Tuffani

    terça-feira, 01/06/2010 at 7:41

  7. A Anônima acha o Heidegger contraditório. Mas, como Antônio Cícero diz hoje no blog dele, ela é que não entendeu que os tais “elogios” a Descartes que ela cita eram apenas a descrição que Heidegger fazia da atitude vulgar da universidade alemã em relação ao filósofo francês. Heidegger cita essa atitude elogiosa apenas para criticá-la. Li os textos e o AC tem razão: Heidegger não elogia Descartes e o considera decadente. É por não ter entendido isso que a Anônima pensa que ele é contraditório.

    Marcelo Silva

    quinta-feira, 03/06/2010 at 19:35

  8. Prezado Tuffani,
    Polêmicas filosóficas são a mais baixa forma de literatura. Sejamos mais wintegenstainianos: questões filosóficas são mais perplexidades que realmente problemas… Isso quando falamos de pessoas honestas e de bom senso (“a coisa mais bem distribuída da terra”, segundo um tolo que não conheceu o Brasil), mas no caso de Heidegger a coisa é bem pior. Esse complicado senhor morreria de rir de “tapuias” como nós falando de Filosofia em português, já que ele achava que mestiços como nós estava pouco acima de macacos (ou talvez, abaixo). Tempo, é o que nos falta! Então porque desperdiçar vida com um desprezível nazista como Heidegger? E quanto ao Antônio Cícero? Deixemos esse cavalheiro em paz, bebendo sua água Perrie e se entregando ao esteticismo vazio, que somente serve para que ele pense que está fazendo alguma coisa útil. Resumindo: saia para outra!

    Paulo de Tarso

    quinta-feira, 03/06/2010 at 21:28

  9. O anonimato descomedido e intelectualmente fraco não merece crédito, muito menos agradecimentos, certo Tuffani?

    Abraço,
    Adriano Nunes.

    adriano nunes

    sexta-feira, 04/06/2010 at 20:38

  10. Adriano Nunes,

    Acho pior a reação descomedida como a sua e a de Antonio Cicero a uma interpretação claramente errônea, no caso a do trecho da pág. 51 da tradução brasileira da Grundfrage do Heidegger. Acabei de postar no blog dele um comentário ressaltando que eu disse a ela que não há a contradição que ela afirma, e que ele, apesar disso, disse: “Que a desonestidade e/ou a burrice dessa comentadora anônima não tenha sido percebida imediatamente pelo próprio Tuffani é muito estranho.” Ou seja, ele não notou isso, mas nem por isso eu me atrevo a dizer que ele cometeu “desonestidade” ou burrice”.

    Quanto ao agradecimento, foi pelo elogio ao meu blog e também por algo muito específico, que é minha atuação contra a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Você não notou isso, mas também não direi que por isso você cometeu “desonestidade” ou burrice”.

    Saudações,

    Maurício Tuffani

    Mauricio Tuffani

    sexta-feira, 04/06/2010 at 21:23

  11. Sr. Adriano,

    Sou a Anônima que o senhor e seu amigo poeta e outros admiradores dele ofenderam. Talvez eu tenha mesmo indigencia intelectual apesar de aos 19 anos lutar desde criança no rumo contrario a ela. Sou dessas pessoas pé de chinelo que tomam três conduções lotadas pra ir ao trabalho, duas pra ir a faculdade, e outras duas pra voltar pra casa. Nunca pude comprar um livro desses de mais de 20 reais. Na faculdade uso xerox de capitulos de livros. E nem ousei prestar vestibular pra uma Casper Libero porque nao posso pagar mais que os 400 reais de emsalidade de uma universidade vagabunda.

    Não me identifiquei pq estudo num ambiente parecido com aquele em que humilharam aquela estudante por causa do vestido curto e a última coisa que eu quero é eles saberem que elogiei o “grande inimigo da obrigatoriedade do diploma.

    Meu refugio do mundo em que vivo é a leitura de livros q quase nunca são meus. Nunca entrei na internet pra comentar um assunto como esse de filosofia. Nem tenho internet em casa, estou agora fazendo isso na casa de minha vizinha como da outra vez. Só fiz isso desta vez por causa de minha admiração pelo Maurício Tuffani que escreveu textos sobre ética jornalística que me deram orientações muito melhores q professores que só sabem indicam livros de amigos.

    O sr. me chamou de desonesta porque eu me enganei ao ler na correria um pedaço de um livro e achei que vi uma contradição. O Maurício Tuffani parece que vai explicar isso na resposta dele. E o senhor e o seu amigo Antonio Cicero responderam com ofensas. E esse Antonio Cicero ainda por cima entendeu errado o que eu disse, q ele mandrakeou a REPLICA DELE A CRITICA DO TUFFANI pq o Tuffani contestou a tese da DESQUALIFICAÇÃO DA RAZÃO e não da RELATIVIZAÇÃO.

    Mas deixa pra lá. Eu sou uma balconista que se meteu com um poeta amigo de grandes cantores. Pela resposta evasiva e pelas tantas afirmações de ordem pessoal dele ao Maurício Tuffani eu deveria ter imaginado que a reação dele ñ seria boa coisa. E que ele teria uma tropa de choque para fazer esse serviço como o seu fora do site dele.

    Obrigado Maurício pela sua resposta delicada.

    Anônima

    sexta-feira, 04/06/2010 at 22:05

  12. Caro Tuffani,

    Você sempre se perde em suas referências? Porque até citando Nietzsche você cometeu outro erro. O meu amigo Aetano fez com que você mesmo reconhecesse isso no blog do Cícero. Fico receoso de dar crédito à qualquer citação sua, pois todas até agora foram falhas. É fato ou mentira? Descomedido é apressar-se em tratar assuntos dos quais não se tem domínio pleno!

    E reafirmo: anonimato para mim é vazio, vácuo, nada que me interesse! Covardia plena!

    Abraço,
    Adriano Nunes.

    adriano nunes

    sexta-feira, 04/06/2010 at 23:40

  13. Adriano Nunes,

    Errei a referência a Nietzsche com o texto dele à minha frente. E não tenho a menor dificuldade em admitir meus erros, sejam eles de referência ou de interpretação, ao contrário de você, cujo comentário anterior se mostrou ridículo ao confundir o elogio de uma internauta a mim, como mostrei em minha resposta anterior, em seu ataque pessoal seu à interpretação confusa dela. É fato ou mentira? A dissimulação sua nessa situação em que seu erro foi detectado, partindo para mais um afoito e patético ataque, mostra que nem ao menos reconhecer erros você consegue.

    Por essa razão, fico satisfeito por saber que você não me dará crédito, poupando-me de estar associado a seu nome. E também jamais me arriscarei a dar crédito a suas afirmações afoitas, inclusive porque até agora só pude ver nelas motivações mesquinhas. Nada vale a pena se a alma é pequena!

    Você sempre faz ataques apressados sem se dar conta do ridículo a que pode se expor? Para me poupar doravante do desagradável exercício de trucidá-lo com suas próprias palavras, não publicarei mais comentários seus que tenham motivação torpe, OK? Não tenho prazer em bancar o Obelix, que se divertia a cada vez que encontrava romanos pela floresta.

    Saudações,

    Maurício Tuffani

    Mauricio Tuffani

    sábado, 05/06/2010 at 8:35

  14. Caros leitores,

    Estou surpreso com a desfaçatez, a covardia e a desonestidade das atitudes tomadas hoje por Adriano Nunes. Depois de ser desmascarado e ridicularizado com suas próprias palavras, ele correu para o blog de Antonio Cicero para mentir com liberdade. Como eu já disse, não tenho paciência para dar bordoada, mesmo em quem merece. Ficam aqui os registros de toda essa pusilanimidade.

    Maurício Tuffani

    Mauricio Tuffani

    sábado, 05/06/2010 at 19:17

  15. Eu, se fosse “A Anônima”, que alegrou o meu dia com a frase: “eu sou a Anônima”, veria tudo isso como um vendaval passageiro de uma elite desocupada e sibarita que somente estuda para dissipar o seu tédio.

    Nota do editor deste blogApesar de seu texto original não conter nenhuma ofensa ou inverdade, o comentário de Paulo de Tarso teve suprimida por mim uma bem-humorada menção ao autor de comentários desonestos a este post. O motivo desse procedimento editorial é minha decisão de não fazer constar mais neste post nenhuma consideração sobre o indigitado. Conto com a elevada compreensão de Paulo de Tarso já demonstrada inclusive por seu bom humor.

    Paulo de Tarso

    domingo, 06/06/2010 at 10:28

  16. […] 2. Critiquei esse artigo do colunista no mesmo jornal, mas na seção “Tendências/Debates”, que fica na terceira página do primeiro caderno, com o artigo “O tabu em torno da razão”. […]


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