Laudas Críticas

Faltou explicar a ‘politização’ do vandalismo nas escolas

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A recente discussão sobre as depredações e outros atos de violência em escolas públicas de São Paulo teve hoje um novo tempero, mas que parece precisar de melhor explicação. Trata-se do artigo “Como interpretar o vandalismo nas escolas?”, da pedagoga Dagmar Maria Leopoldi Zibas, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, mestre em psicologia da educação pela PUC-SP e doutora em educação pela USP. Publicado nesta quarta-feira (26/11) na seção Tendências/Debates da Folha de S. Paulo, o texto afirma:

O vandalismo praticado é uma forma caótica de chamar a atenção para os repetidos erros e omissões das políticas educacionais. É um grito de revolta pela precariedade das instalações e dos recursos didáticos, pela debilidade da formação do magistério e pelas sofríveis condições do trabalho docente. É um protesto difuso, explosivo e não elaborado, mas claramente voltado contra a implacável deterioração institucional, a inutilidade da freqüência às aulas e a completa desesperança de encontrar na escola a chave para um futuro melhor.

As palavras desse parágrafo são fortes. Sua primeira frase foi inclusive destacada por meio do recurso gráfico conhecido como olho para sintetizar o conteúdo do artigo. Mas o texto da pedagoga não oferece elementos para comprová-la. Ela se baseia em dados sobre a aplicação de recursos e em aspectos da política de educação do Estado nos últimos anos. Aponta o quadro salarial dos professores, a “promoção automática” dos alunos e vários outros aspectos, afirmando que todos esses fatores são “maximizados pela prolongada continuidade político-administrativa no Estado”.

Se assumirmos que todas as premissas da autora em seu artigo são verdadeiras — e não me proponho a questioná-las nem a afirmá-las neste meu curto texto —, é possível admitir sem risco de falácia a veracidade da afirmação da autora do artigo que “nossos jovens não possuem instrumentos para construir canais mais produtivos para expressar suas frustrações”. Mas a pedagoga fica devendo para seus leitores um nexo entre essas frustrações dos praticantes de tais atos de vandalismo e a suposta intenção de protestar contra as políticas educacionais.

Também não parece haver, salvo melhor juízo, elementos que permitam equiparar esses atos, como faz a pesquisadora, às rebeliões organizadas de secundaristas chilenos que motivaram a elaboração de uma nova legislação educacional. Isso não significa que a conclusão da autora do artigo é falsa, mas que exige explicação, principalmente por ela estar se dirigindo a um público não especializado.

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Written by Mauricio Tuffani

quarta-feira, 26/11/2008 às 7:30

Publicado em Educação, Política

2 Respostas

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  1. O que esperar desses “pesquisadores” que têm Marx como Bíblica e Paulo Freire como Novo Testamento? O dia que vocês, meus amigos, me pegarem ouvindo um pedagogo, internem-me.

    Esses “pesquisadores” “pesquisam” todos do mesmo jeito: buscando argumentos falaciosos para legitimar sua religião.

    Everton Maciel

    quarta-feira, 26/11/2008 at 15:45

  2. Lá na minha terra o afirmação da pedagoga chama-se: hipótese.

    Mas, da forma apresentada, parece ser tratada pela pesquisadora como verdade apodíctica.

    GPSADV

    segunda-feira, 15/12/2008 at 16:48


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